A opção de muitos produtores pelo plantio de milho, em detrimento do plantio da soja, pode elevar a safra brasileira de 99 para patamar recorde, como quer o governo. É que o milho rende mais por hectare. A previsão é de técnicos da Bolsa de Mercadorias e empresas de consultoria em mercado de commodities agrícolas.
No norte do Paraná, uma das principais regiões agrícolas do país, a soja rende 2.480 quilos por hectare. Já a produção de milho é de 5.000 quilos por hectare. Além disso, o milho tem menor custo de produção. A previsão da Conab é que o plantio de milho cresça 13% em 98/99. A safra de milho prevista pela Conab é de até 28,9 milhões de toneladas.
Tendência A opção pelo milho por parte dos agricultores se deve à previsão de preços baixos para a soja em 99, uma tendência ainda não confirmada. Mesmo prevalecendo esta tendência, os preços podem oscilar e experimentar altas comparadas às deste ano, tudo dependendo da Bolsa que é um mercado sensível à especulações.
Mato Grosso do Sul e Goiás lideram as intenções de alta no plantio de
milho. A Conab prevê expansão de até 46% nessas regiões. Em média, o
Centro-Oeste deve ter aumento de até 42%.
Preços Os preços internos do milho e da soja pagos aos produtores estão estáveis há várias semanas. Os produtores estão recebendo R$ 13,50 pela saca de soja no Oeste e Norte do Paraná, enquanto a de milho está em R$ 6,70/saca. No mercado de atacados, o preço à vista do milho, pela FGV/BM&F, fechou a semana passada em R$ 8,40/saca.
O Indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F registrou queda de 0,47%, ficando em R$ 14,84/saca. Em dólar, o indicador registrou queda de 0,48%, ficando em US$ 12,46 saca. O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Estado do Paraná.
No mercado externo, soja e milho voltaram a cair de preço na semana passada. O primeiro contrato de soja recuou 1,26% em Chicago. Já o de milho caiu 1,13%. Açúcar e café tiveram pequena recuperação em Nova York.
Soja Os produtores de soja já não estão tão eufóricos como há 15 dias, quando o governo dos EUA informou que a safra norte-americana seria 3,8 milhões de toneladas menor do que a prevista inicialmente. As razões são várias, diz Fernando Muraro, de Chicago. Primeiro, há um sentimento de que a safra dos EUA deve ser maior que o volume previsto neste mês, de 75,5 milhões de toneladas.
Muraro diz, ainda, que o mercado teme um avanço da produção no Brasil e na Argentina. Outro fator que pode depreciar os preços é a queda nos volumes exportados pelos EUA, diz Muraro.

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