Os produtores da Região Sul definem na próxima semana o que pretendem plantar na safra 2000/2001. Essa tomada de decisão reflete no mercado dos insumos que vão utilizar. Outra atitude do produtor neste momento é o planejamento da safra, que expressa o grau de tecnologia que vai empregar na produção. Isto ocorre num ambiente de pouca liquidez em que é necessário reduzir custos.
A primeira cultura da safra de verão a ser plantada no Paraná é o feijão das águas. A tendência era de queda na área plantada porque os produtores estavam desestimulados com os baixos preços do feijão desde o início do ano.
Depois das geadas, no entanto, a situação se inverteu. Houve uma alta nas cotações, que está sendo considerada como uma ‘‘bolha’’ pelos especialistas de mercado, e que pode levar os produtores a um erro de cálculo.
‘‘Se os produtores voltarem a plantar feijão como nas safras anteriores, pode ocorrer novamente uma superprodução que fatalmente vai derrubar as cotações’’, alertou o corretor Marcelo Luders, da Correpar.
O técnico do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), Gilberto Martins Bello, também recomenda ao produtor aguardar mais um pouco antes de tomar uma decisão. Ele alerta que o consumo de feijão no País está fraco e existe produção em todas as regiões, e qualquer oferta acima do esperado pode derrubar as cotações, como vem acontecendo nos últimos anos. Segundo Bello, o produtor vendeu o feijão carioca abaixo do preço mínimo (R$ 28,00 a saca), desde o início do ano.
Segundo levantamento da Correpar, a área plantada com feijão em todo o Brasil atingiu 1.612,50 mil hectares sendo 442.979 ha no Paraná. Apesar do porte da área, Luders lembra que o produtor de feijão foi pouco amparado pelo governo federal sob a justificativa de que ele devia encontrar seus próprios caminhos sem o amparo oficial. ‘‘Na planilha do produtor desapareceu o lucro da atividade após a desvalorização cambial, porque todos os insumos sofreram correção e o feijão não acompanhou’’, frisou.
Para a próxima safra ainda há tempo para o produtor deixar de lado o tradicional feijão carioca e optar por outras variedades que poderão ser exportadas e até mesmo serem consumidas aqui mesmo. Luders citou como exemplo o feijão ‘‘rosinha’’, que pode entrar na diversificação de produtos colocados à disposição do consumidor que aprecia e valoriza outras variedades de feijão. Desta forma o produtor terá nas mãos uma mercadoria que não estará dependendo apenas da exportação ou do mercado interno, tendo oportunidade de escolher que mercado será mais conveniente no momento que decidir vender .

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