Vânia Casado
De Curitiba
Produtores de soja devem limitar as vendas durante o pico de safra e prorrogar ao máximo as operações para depois desse período. Passada essa fase, o produtor deve ficar atento aos repiques do mercado que certamente ocorrerão durante o ano para ampliar o resultado da produção agrícola. A recomendação é dos analistas da agência Safras e Mercados, que promoveu ontem, em Curitiba, o Seminário sobre Tendência do Mercado e Estratégias de Comercialização para a safra 99/2000, com abordagem sobre a comercialização da soja, milho, carnes, algodão, café e trigo.
Para o analista Flávio França Júnior, a realização do seminário sobre comercialização representa a abertura dos trabalhos de consultoria que ocorrem durante o ano. Ele lembrou a importância desse tipo de apoio, já que a comercialização é uma das fases mais vulneráveis da produção agrícola, em que o produtor perde competitividade. França lembrou que o produtor brasileiro das principais commodities já está eficiente e competitivo da porteira para dentro, com a incorporação de novas tecnologias. ‘‘Mas começa a perder renda da porteira para fora, justamente porque não está acostumado a acompanhar as oscilações de mercado’’.
Para os produtores de soja, França recomendou a redução da necessidade de venda da produção entre os meses de março e maio, período de intensificação da comercialização. Apesar da falta de expectativas sobre a melhora expressiva no preço do grão esse ano, mesmo depois de dois anos de preços baixos, o técnico recomenda cautela nas vendas nesse início de comercialização. Ele acredita que as cotações devem se situar nos níveis praticados no ano passado, entre US$ 9 e US$ 10 a saca no mercado de lotes. Ele disse é difícil fazer uma previsão para o ano, já que o mercado internacional está vinculado ao plantio da safra dos EUA, que segundo as estimativas será maior.
Ocorre que o periodo de safra aqui no Brasil coincide com o período de definição do plantio nos EUA, quando as oscilações de preços são mais acentuadas. Daí a recomendação para que o produtor se limite a vender apenas o necessário e fazer uma provisão para desovar a produção durante os repiques de mercado. França comentou ainda que as previsões de recuperação da economia mundial e interna podem favorecer uma reação nos preços da soja ao longo do ano.
França destacou que o período de entressafra da soja será longo novamente no ano 2.000, como ocorreu no ano passado. Segundo ele, ocorreram perdas de safra provocadas pela seca nos principais estados produtores como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Com a safra mais enxuta e a tendência de demanda maior aqui e no mercado internacional, o produtor deve ficar fora do mercado neste período de pico, insistiu.
França reconhece que muitos produtores não têm a tranquilidade financeira para ficar fora do mercado nesse período. Para os clientes da Safras e Mercados, ele recomendou que os produtores vendessem 30% da safra anteciparada para quitar os débitos de custeio e ter condições de atravessar esse período sem necessidade de fazer muitas operações de venda, explicou.
O mercado de milho deve se manter firme durante todo esse ano, já que a oferta será inferior ao consumo, disse o analista Paulo Molinari. Mesmo assim ele alerta que o produtor não deve segurar o produto a ponto de achar que os preços vão explodir no segundo semestre, período de entressafra, porque essa projeção pode não se concretizar. Ele destaca que se as empresas e indústrias agilizarem as importações ainda neste primeiro semestre, o abastecimento pode ficar mais folgado durante o ano. ‘‘Do contrário, a escassez será mais drástica do que foi em 99’’, alertou.
Para Molinari, é normal a queda de preço que já está ocorrendo no mercado nesse período de concentração da oferta. Segundo ele, mesmo que o preço caia para R$ 10,00 a saca durante o pico da safra, ainda assim será bom para o produtor.

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