Produtor deve manter boi no pasto, recomenda SRP
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Francisco Galli, afirmou ontem, durante entevista coletiva, que está propondo aos criadores do Estado que retenham seus rebanhos no pasto, até que a suspensão das exportações de carne pelos países do Nafta (Canadá, Estados Unidos e México) tenha uma definição. A afirmação foi feita pela manhã, quando o Canadá ainda não havia admitiu rever a sua posição.
A orientação da SRP visa conter a queda do preço da arroba no mercado interno, responsável pelo consumo de 92% da produção de carne nacional (apenas 8% é exportada). Desde quando foi anunciado o embargo à carne brasileira (1 de fevereiro), o preço da arroba já caiu 2,5% em São Paulo, 1,29% no Triângulo Mineiro, 5,26% no sul de Goiás e, por enquanto, mantem-se estável em Mato Grosso do Sul. Analistas indicam que a queda pode chegar a 10% se a suspensão se prolongar.
Para Galli, isso é especulação com o preço da carne, uma vez que a queda não atingiu a ponta do consumo, ou seja, o consumidor final. A arroba, que ontem estava sendo negociada a pouco mais de US$ 18,0, já chegou a valer US$ 22,00.
A venda, segundo Galli, tem que ser parcimoniosa para que não sejamos coniventes com esta situação. A SRP está entrando em contato com as sociedades rurais regionais e orientando os criadores a esperarem um melhor momento para negociarem seus rebanhos.
Em relação às perdas nas exportações previstas para este ano, algo em torno de US$ 940 milhões, o presidente da SRP disse que depende da habilidade do Brasil em resolver rapidamente a questão. O prejuízo estimado com o embargo do Nafta pode chegar a US$ 100 milhões, como já foi divulgado pela Folha.
Além de incentivar a retenção do boi no pasto, a Sociedade Rural do Paraná quer a adoção imediata das medidas contidas no programa de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que prevê tratamento igualitário de tarifas em relação às exportações e importações brasileiras, principalmente sobre o trigo canadense. Galli disse ainda que o País precisa manter adidos comerciais do ramo agropecuário nas embaixadas brasileiras no exterior, como forma de agilizar a parte burocrática desse comércio.
Será preciso também, de acordo com Galli, informar o mercado externo de que no Brasil predomina o chamado boi verde, desenvolvido à pastagem, o que garante a saúde do gado brasileiro. Segundo o presidente da SRP, 98% do rebanho nacional, de 170 milhões de cabeça, é alimento com capim. Os outros 2% são alimentados com ração a base de cereais.
Galli informou também que irá propor um rastreamento, a partir do Paraná (já que as associações e núcleos que mais importaram estão no Estado), dos animais importados do Reino Unido, Alemanha e França. A falta de informações sobre o controle desses animais por parte dos criadores brasileiros foi um dos motivos que levaram ao embargo das exportações da carne bovina do País. Outra medida será questionar a justificativa falha de que o Brasil deveria ter entregue um relatório sanitário em 1998.





