Produtor deve investir em tecnologia
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segunda-feira, 05 de abril de 1999
Da Redação 
O professor da USP, Guilherme Dias, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, disse ontem, em Curitiba, que o agricultor não deve avaliar o resultado econômico da desvalorização cambial como um ganho de renda este ano. A recomendação dele é aplicar na produção o ganho que tiver, visando a capitalização interna da propriedade a fim de entrar no ano 2000 em uma situação sadia.
Segundo o professor Guilherme Dias, que participou da reunião das treze Comissões Técnicas da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), esse ano não dá para viver melhor. Só dá para viver mais tranquilo. Ele fez uma palestra sobre as tendências e expectativas do mercado agropecuário brasileiro e internacional. Para Dias, a combinação de fatores como estoques mundiais de grãos em alta, a redução do consumo mundial por parte de países em crise e o aumento da produção prevista nos países desenvolvidos influenciam no preço das commodities.
Segundo Dias, a queda nos preços internacionais das principais commodities e o problema criado pela recessão dentro do País, atingirá com mais intensidade os pequenos produtores. Para evitar a falência desse segmento, Dias defendeu a adoção de política agrícola diferenciada com subsídios para manter o pequeno produtor no meio rural. O professor lembrou que as culturas mais suscetíveis de queda de preço, no caso de uma comercialização mais intensiva, são o milho e o arroz. Se todo mundo vender a produção entre abril ou maio, poderemos ter uma queda mais grave de preços internos, alertou. Por isso advertiu aos produtores que tenham cautela na comercialização.
Guilherme Dias fez uma análise pessimista sobre a situação da agricultura brasileira ao afirmar que é impossível num quadro de recessão tão forte e de financiamento tão baixo, evitar uma situação difícil. A previsão é de um cenário onde se divide muito a agricultura, em que existem os que têm um mínimo de condições para poder sobreviver, e aqueles que realmente passam por maus bocados diante de uma crise grave como esta.
A principal saída para os produtores, ressalta o professor, está no planejamento que leve em conta a capacidade de investimento e de endividamento razoável dentro da propriedade. O autofinanciamento, a capitalização dentro da propriedade tem sido a salvação da maioria das pessoas nos últimos 10 anos no Brasil, explicou.
O impacto da desvalorização na agricultura não pode ser visto apenas pelo ângulo dos preços da produção agrícola, analisa Guilherme. Tem-se que analisar os efeitos nos custos de insumos que já começam a ser sentidos, alerta. De acordo com ele, com a desvalorização cambial, sem dúvida, há uma expectativa melhor. Principalmente no que se refere aos preços internos do Mercosul, que estavam em desequilíbrio durante anos com a Argentina.


