Termômetro mundial na cotação dos preços da soja, a Bolsa de Chicago deve ser acompanhada, neste momento, com muito interesse pelos produtores, especialmente neste semana em que deve ser anunciada a estimativa de produção dos Estados Unidos, o principal produtor mundial. A recomendação parte da economista Gilda Bozza, consultora de mercados da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) ao avaliar a pequena reação no mercado, nos últimos dias (em relação aos contratos futuros), depois de um longo período de ''frustração de expectativas'' para os sojicultores, especialmente paranaenses.
Ano passado, a saca de 60 kg no mercado paranaense chegou a ser vendida a cerca de R$ 50, caindo nesta safra para bem menos de R$ 30. Embora os preços históricos em dólar não tenham sofrido grandes quedas, a supervalorização do real frente ao dólar impede uma margem de lucro ''razoável'' aos produtores, que alegam não conseguirem cobrir os custos. Isto, em parte, motivou recentemente fortes protestos no Brasil, com maior ênfase no Paraná.
Expectativa - Embora distantes das expectativas dos produtores, as reações do mercado estão relacionadas ao comportamento do clima nas principais regiões produtoras norte-americanas. Falta chuva no Meio Oeste nesta fase de desenvolvimento das lavouras. Os últimos contratos futuros para agosto e setembro deste ano fecharam entre US$ 14,94 e US$ 15,00/saca.
Os contratos para o primeiro vencimento - no próximo mês - foram fechados em US$ 14,91/saca (R$ 36,59/saca). Com vencimento em agosto, tiveram cotação de US$ 14,98/saca (R$ 36,76/saca) e para setembro foram fechados em US$ 15,02/saca (R$ 36,87/saca).
No mercado paranaense, a comercialização continua praticamente parada, segundo assinalou ontem Dorival Basta, do Departamento de Economia Rural do núcleo regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, em Maringá. Em média, a saca estava fixada em R$ 29 para entrega imediata.
Como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos vai divulgar nos próximos dias o relatório de junho de 2005, com o balanço da oferta de grãos no mundo, deve o produtor acompanhar o movimento de Chicago. Para a economista Gilda Bozza Borges, semana passada pode ter ser o último repique de preços antes do mercado conhecer a real situação da safra norte-americana de soja.

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