Curitiba - O agricultor Dorvalino Bonetti, de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, destruiu ontem o plantio de soja transgênica que fez numa área de aproximadamente um hectare, em sua propriedade. Após denúncia recebida, ele foi flagrado pela equipe de fiscalização da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento que interditou sua lavoura.
Testes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) confirmaram a existência de mais cinco áreas no Estado com soja transgênica que deverão ser interditadas hoje.
Bonetti decidiu destruir a lavoura para conseguir atenuantes no processo que vai responder perante ao Ministério da Agricultura e também na Secretaria da Agricultura do Paraná. A intenção do agricultor é escapar das multas, informou o engenheiro agrônomo Rudmar Pereira dos Santos, do núcleo da secretaria em Pato Branco.
O agricultor não tinha assinado o termo de conduta com o Ministério da Agricultura, onde deveria formalizar sua intenção de plantar soja transgênica. Por transgredir a norma federal, o agricultor deve ser multado em aproximadamente R$ 16 mil. Também vai responder a mais dois processos que serão instaurados pela Secretaria da Agricultura, cujas multas podem superar R$ 19 mil.
O agricultor passou o trator por cima da lavoura até destruir totalmente as plantas. Os fiscais da secretaria deverão voltar na propriedade na próxima semana para verificar se não ficou alguma planta remanescente. Depois disso a área será liberada para novos cultivos, menos para a soja. ''Plantio de soja só na próxima safra'', disse o técnico. O agricultor contou que comprou sementes clandestinas no Rio Grande do Sul.
Das cinco áreas com lavouras de soja transgênica comprovadas pela UFPR, quatro estão no município de Coronel Vivida e uma no município de Sulina, também na região sudoeste do Estado. As lavouras com soja modificada geneticamente somam cerca de 50 hectares.
Em Coronel Vivida, as propriedades pertencem aos agricultores Adair Baú, Ari Comunello e Valdemir Baú, que plantou Organismos Modificados Geneticamente (OGMs) em duas áreas distintas. O produtor Enio Pigosso plantou soja transgênica no município de Sulina. O núcleo da Secretaria da Agricultura na região recebeu 24 denúncias anônimas e dessas, seis áreas foram confirmadas através dos testes de laboratório.
De acordo com Santos, esses agricultores terão que comprovar que assinaram o termo de compromisso com o Ministério da Agricultura, que autoriza o plantio de soja transgênica. Os agricultores terão que informar ainda a procedência da semente que utilizaram.
Além disso, vão responder a processo que será instaurado pelo governo do Estado por transgredir a lei federal dos agrotóxicos e a lei estadual de sanidade vegetal, caso tenham usado o glifosato, um produto proibido para plantas já emergentes.

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