Produtor desatento tem prejuízo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O produtor rural está perdendo dinheiro por causa de sua desatenção com o mercado. Ele optou por carregar estoques de soja para vender o produto num momento de reação do mercado e, enquanto isso, está vendendo milho a qualquer preço, quando deveria ser o contrário. ''Se hoje há um culpado pelos baixos preços do milho é o vendedor'', disse ontem o analista Paulo Molinari, da agência Safras e Mercados, de Curitiba. O analista participou do seminário que antecipou as tendências de mercado para 2005.
De acordo com Molinari, o milho está sendo vendido no balcão entre R$ 13 e R$ 13,50 a saca quando o preço ideal seria de pelo menos R$ 16 a saca o produtor está perdendo mais de R$ 3 a saca. Segundo ele, está contribuindo para isso a falta de atenção ao mercado que deverá ficar mais ajustado nos próximos meses. ''Portanto, seria o momento de guardar o milho e esperar a reação nos preços'', disse.
Entre os fatores que sinalizam para cotações maiores para o milho, Molinari lembrou que o plantio da atual safra de verão está atrasado por causa das chuvas, que sinaliza para uma colheita tardia. Lembrou ainda que está previsto um consumo de nove milhões de toneladas até janeiro diante de uma disponibilidade de 10 milhões de toneladas para venda. Além disso, a área plantada caiu cerca de 3% em todo o País, o que reduz a oferta do grão no primeiro semestre do ano que vem.
Enquanto isso, o analista Flávio França Júnior, também da agência Safras e Mercados, não acredita em reação no mercado da soja este ano. Segundo o economista muitos produtores deixaram de vender o produto por R$ 50 a saca no início do ano e agora resistem em vender os estoques por R$ 35 a saca. Destacou que o produtor está tendo custo em carregar esses estoques e a rentabilidade prevista para o ano que vem é muito baixa, da ordem de 10% a 15%, quando já obteve margens superiores a 35% nos últimos dois anos.
França Júnior observou que este ano a safra americana é recorde, com 84 milhões de toneladas, e as previsões para a América do Sul também sinalizam para superoferta de produção. Com isso, França Júnior prevê a elevação dos estoques para 60 milhões de toneladas, situação que está influenciando na formação dos preços atuais.
Para evitar prejuízos na safra de soja 04/05, o analista recomenda a racionalização no plantio, onde o produtor deve reduzir custos na compra de insumos sem comprometer a produtividade com possível redução no uso de tecnologia. ''O produtor precisa saber que nessas horas o diferencial de produtividade faz a diferença entre o lucro e o prejuízo'', afirmou.
Sobre o trigo, o economista Aldo Lobo disse que os preços na Região Norte do Paraná já estão reagindo e o produtor voltou a negociar sua produção pelo preço mínimo de R$ 400. Ele atribuiu à reação ao leilão dos contratos de opção realizado na semana passada.


