Levantamentos feitos por uma empresa de assessoria rural contratada por produtores de frango da região de Palotina , no Oeste do estado, estão dando base à contestações, inclusive judiciais, à receita que lhes foi estimada pela Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri (Coopervale), com sede naquela cidade. A Coopervale opera frigorífico que abate diariamente 75 mil aves, e, quando de sua implantação, organizou o sistema de integração com os produtores, apresentando-lhes, segundo a empresa, projetos de viabilidade que indicavam renda que não estaria sendo alcançada, e até resultaria em prejuízos.
O consultor Dayan César Alves de Almeida, de uma empresa de Goiânia (GO) que atua no Oeste do Paraná, através de seu escritório em Cascavel, salienta o caso do avicultor Cláudio da Silva Pereira, de Palotina, que era um dos principais fornecedores do frigorífico, com até 200 mil cabeças por ciclo de produção. Quando decidiu aderir ao sistema de integração, no final de 97, Pereira contraiu financiamento bancário de R$ 441 mil e aplicou mais R$ 238 mil próprios para implantar oito aviários climatizados com equimentos de alta tecnologia. Posteriormente, teve que aplicar mais cerca de R$ 370 mil para complementações na estrutura, pedidas pela cooperativa, que se dispos a financiar esta parte.
O produtor foi motivado pela ‘‘promessa’’ de técnicos da cooperativa, de que, anualmente, descontados todos os gastos nos aviários, teria lucro de R$ 118 mil. No entanto, no ano passado acabou acumulando prejuízo de R$ 56,7 mil. Decepcionado, Cláudio da Silva Pereira já desativou quatro aviários e prepara a paralisação dos demais. ‘‘Estamos constatando que esta situação é comum a outros avicultores’’, relata Dayan de Almeida. Além disto, ele aponta que Pereira acumulou dívidas na conta-corrente na cooperativa, referentes a insumos, financiamentos e serviços, sobre as quais em alguns casos os juros chegam a 233% ao ano’’.
O produtor teve que se desfazer de 70 alqueires de terras por causa das dívidas, e acusa um gerente da Coopervale, Carlos Matiucci, de ter recebido R$ 15,00 ‘‘a título de corretagem’’ sobre o valor da transação, de R$ 500 mil.
Alegando não ter acesso a extratos sobre seus débitos na cooperativa, Pereira ingressou com uma ‘‘ação de prestação de contas’’ na Comarca de Palotina, estruturada pela empresa de assessoria, e através da advogada Tatiana Valeska. Prourada, a direção da Coopervale preferiu não se manifestar a respeito.

mockup