Produtor busca alternativas para cultura de milho e soja
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terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Mauro Zafalon<br>Folhapress 
São Paulo O Brasil não é só milho e soja. Ao mesmo tempo em que novas áreas são incorporadas à agricultura, os produtores começam a optar por novos produtos ou a voltar ao plantio de outros que estavam praticamente esquecidos.
Amendoim, girassol, canola e sorgo são alguns desses produtos que começam a ganhar espaço. Os dados de área plantada a serem divulgados hoje pela Conab devem confirmar o avanço.
Alguns produtos aparecem como uma opção de rotação de cultura. Outros são incorporados ao sistema de produção porque substituem culturas de maior custo e menos adequadas para determinados períodos do ano. É o caso do girassol no sudoeste goiano, que ganha espaço do milho safrinha. Outros produtos são incorporados à lista de opções de produção por agricultores que querem diversificação. O amendoim rouba espaço da soja em áreas de Mato Grosso.
A soja, que nos últimos três anos roubou espaço de todas as outras culturas devido aos elevados preços da oleaginosa, já não mostra um cenário tão atraente. Alguns produtores começam a substituí-la. Vanderlei Reck, de Campo Novo do Parecis (MT), é um deles. Reck diz que pretende pôr os pés em várias canoas: reduziu a área de soja e planta amendoim e algodão.
O amendoim foi uma cultura tradicional até a década de 70, mas, por problemas de produtividade e de qualidade, o produto praticamente foi esquecido. Hoje, com a introdução de novas variedades e controle de qualidade, a produção volta a tomar fôlego, principalmente em São Paulo.
Inácio Godoy, pesquisador e especialista em melhoramento genético do Instituto Agronômico de Campinas, diz que a área plantada, que cresceu de 15% a 20% em 2003, volta a ter aumento de 25% a 30% neste ano. A área de plantio já supera 100 mil hectares.
Godoy alerta, no entanto, que o amendoim não é uma cultura de larga escala. É preciso um controle contínuo desde a lavoura, no transporte e na armazenagem. A qualidade é um fator essencial.
Até há poucos anos, o produto brasileiro era estigmatizado pela má qualidade, o que não ocorre mais. Outro empecilho, a baixa produtividade, foi resolvido com a utilização de novas variedades. Até 1999, os produtores conseguiam 2 mil quilos por hectare. A produção atual já está entre 2,5 mil e 3 mil quilos, diz Godoy.
Girassol Outro produto que ganha a preferência dos produtores, principalmente em Goiás, é o girassol. As vantagens dessa cultura na safrinha são grandes em relação ao milho, diz Tasso Torres, engenheiro agrônomo da fazenda Barra Bonita, localizada em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás.
O lucro do girassol supera o do milho. Além disso, o plantio promove uma reciclagem de nutrientes, favorecendo a cultura seguinte. Torres acrescenta à lista dos benefícios do girassol o fato de a cultura não ser concorrente com o milho e a baixa inadimplência dos compradores.
Quanto aos compradores, o produtor Arcides Scopel, de Jataí (GO), diz que os contratos antecipados feitos com a Caramuru Alimentos são lucros certos. Ele recebeu US$ 11 por saca neste ano e teve gasto de US$ 6 a US$ 7 na produção.


