Produtor aposta em nova alta do milho
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
Os produtores paranaenses não estão animados com a proposta do governo federal, que permite a antecipação do pagamento da primeira parcela da securitização em produto, até o dia 30 de abril. Desde o início da semana, as agências do Banco do Brasil no Paraná receberam R$ 48 milhões para serem aplicados em AGF do milho, o suficiente para a compra de 430 mil toneladas de produto, mas até agora poucos contratos foram antecipados, informou Bruno Antonio Schauff, coordenador de crédito rural do BB.
Para Schauff, o produtor está apostando nas reações de mercado e espera uma elevação maior no preço do milho. Mas ele alerta para as vantagens que o produtor terá se antecipar o pagamento, como a garantia de receber o preço mínimo, além de evitar a necessidade de carregar o estoque, arcando com custos de armazenagem.
No Paraná, o Banco do Brasil securitizou a dívida de 23.878 produtores que somam R$ 850 milhões para ser quitada no prazo entre 7 e 10 anos, com juros de 3% ao ano mais a variação do preço mínimo do produto escolhido. Se o produtor optar por antecipar o pagamento em produto, irá quitar 50% da primeira parcela que vence em outubro.
O superintendente da Conab no Paraná, Eugenio Stefanello, concorda que o produtor está optando por não entregar o milho agora, esperando uma reação nos preços, uma vez que o mercado já está praticando o preço mínimo para o produtor. Mas ele adverte que a elevação no preço ocorreu em função da interferência do governo em comprar milho por AGF e promover os leilões de contrato de opção. Portanto, se o dinheiro disponível no BB não for utilizado, ele tem dúvidas se a tendência de alta no mercado será mantida.
O preço do milho no início da safra, estava em baixa, sendo que o produtor estava recebendo entre R$ 5,00 e R$ 5,50 a saca. A partir de fevereiro, começaram as primeiras liberações para AGF e a Conab-PR retirou 76.000 toneladas do mercado. Em março, foram compradas 180 mil t e para abril, se o produtor aderir a proposta do governo, deverá comprar 430 mil t. Essas interferências resultaram na elevação do preço ao produtor que hoje já está recebendo o mínimo, resumiu.
Com a entrada do governo no mercado, a Conab mantém hoje 350 mil t de milho em AGF e 100 mil t em EGF, que serão desovadas a partir do segundo semestre para o abastecimento das granjas de suínos e aves. Para Stefanello a demanda vai aumentar a partir de julho e por isso ele recomenda calma aos produtores na venda do milho. A melhor estratégia para os produtores é vender o produto sem pressa, cerca de 1 lote por mês, para que o preço no mercado possa reagir aos poucos, com tranquilidade, recomendou.


