Os produtores mais capitalizados da região Oeste do Paraná que tiveram bom desempenho na comercialização da safra 99/2000 já estão reservando sementes de soja de variedades precoces nas cooperativas e revendas de insumos. Essa movimentação confirma a tendência que a região pretende se destacar na produção do grão também na safra 2000/2001. A informação é da engenheira agrônoma Vera Zardo, do departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Ela afirma que essa movimentação não está sendo verificada na região Norte, onde os produtores estão desestimulados em antecipar as compras de insumos, em função da estiagem que permanece severa.
O Deral fez um levantamento nas lojas de revendas no interior e constatou que os produtores capitalizados estão aproveitando as promoções nas vendas de sementes e de fertilizantes que estão sendo feitas. Vera Zardo destaca, porém, que não está ocorrendo uma grande concentração na compra antecipada desses produtos.
Na sua avaliação, a grande maioria dos produtores deixa para comprar os insumos no período que antecede o plantio da safra, entre agosto e setembro. É que os produtores aguardam as informações sobre a política de preços e comercialização que vai vigorar na safra 2.000/2001, justifica.
Os produtores de soja decidem por antecipação porque sabem que o grão tem liquidez no mercado. Além disso, os preços obtidos na comercialização da safra 99/2000 foram considerados bons para a soja e o milho. Conforme levantamento do Deral, o preço médio nominal da soja teve uma alta de 24% e do milho, 30%, comparando o período de abril de 99 a abril de 2.000, que é mês de pique de comercialização de safra. O produtor desembolsou R$ 8,32 em média para plantar uma saca de soja e está vendendo a produção por R$ 17,14, também em média. Esse levantamento tem como base uma produtividade de 3.000 quilos por hectare. E no cultivo de milho, o produtor desembolsou R$ 6,48 por saca e o grão está cotado em média, no preço pago ao produtor, por R$ 11,00 a saca.
Os preços nominais estão melhores, mas em muitos casos a margem positiva foi anulada pelo aumento no custo de produção e agravada pela queda na produtividade em função da estiagem. O aumento nominal no custo da produção de soja da safra 99/2000 em relação à anterior foi de 29%, o que anula a vantagem do preço melhor, explica a agrônoma. A produtividade da soja também será menor, o que reduz a rentabilidade para o produtor. Na safra 98/99 o índice obtido foi de 2.786 quilos por hectare, enquanto na safra atual, o índice médio deve ficar em 2.500 quilos, por conta da estiagem.

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