Produto final leva dias para ficar pronto
Algumas pessoas nem imaginam mas para alguns produtos cerâmicos ficarem prontos e poderem ser utilizados leva dias. Depois da argila ser extraída da natureza, ela passa pelo beneficiamento, quando é triturada, moída e misturada com água. Depois desse processo, essa mistura é encaminhada para uma máquina que por meio de uma forma vai gerar os tijolos, telhas, lajotas e demais materiais.
Em seguida, explica Fabrício Rodrigo Diana, gerente administrativo da Cerâmica Tamarana, esses produtos são levados para secagem, que pode ser natural ou artificial. No processo natural, o material é disposto em barracões cobertos, leva em torno de 12 dias e é recomendado para itens como lajota e telha, considerados elementos cerâmicos e mais sensíveis. Já no meio artificial, que recebe o resíduo de calor dos fornos, podem ser encaminhados os blocos cerâmicos e a secagem acontece em 24 horas. O processo de secagem da região está em transição de natural para artificial, lembra Diana.
O gerente da cerâmica ressalta que o processo de manufatura dos materiais é antigo, mas eficiente. Até existem tecnologias para agilizar o mecanismo, segundo ele, no entanto têm um custo altíssimo e que o setor local ainda não tem condições de bancar.
Depois da etapa da secagem, os materiais são levados ao forno. A queima serve para dar resistência mecânica ao produto final, esclarece Diana, observando que antes de ser levado ao forno, se o material for apertado pode ser amassado ou quebrado. Dentro do forno, que chega a atingir 950 graus, o material fica por mais 48 horas. Para ser aberto, o forno precisa passar por um resfriamento, que dura 12 horas. Só depois disso, o material cerâmico é retirado do local e está pronto para ir para o mercado. Na Cerâmica Tamarana, são processadas diariamente quase 100 toneladas de argila.
Meio ambiente
Segundo Fabrício Diana, para diminuir o impacto ambiental causado pelo processo de extração da argila, as empresas precisam fazer um trabalho de recuperação da área explorada, recompondo a mata nativa. Normalmente, explica Diana, uma empresa determina uma área de onde vai retirar a argila, cerca esse local e tem material para extrair essa matéria-prima durante um tempo que pode variar de 10 a 20 anos.
Antes de dar início à retirada da argila na natureza, acrescenta ele, a empresa precisa apresentar um projeto de recuperação a um órgão responsável. É obrigatório recuperar essas áreas. Atualmente, a empresa que não cumpre é fechada, afirma.
Outro fator no processo de produção de materiais cerâmicos que tem contribuído para a preservação do meio ambiente é a mudança no uso de madeira para biomassa para abastecer o forno. Hoje, o material que vai para a queima vem dos resíduos de cooperativas. (E.Z.)





