São Paulo - Os questionamentos sobre o hormônio do leite são semelhantes aos que existem em relação aos organismos geneticamente modificados. No entanto, em uma década de consumo no mundo, não existe registro de malefício dos transgênicos à saúde humana.
Coincidentemente, o hormônio do leite foi desenvolvido pela multinacional americana Monsanto, a gigante dos transgênicos. No Brasil, é comercializado pela Elanco e pela Schering-Plough. O hormônio surgiu de um organismo geneticamente modificado, mas não é, em si, um produto transgênico. Por isso, no País, não precisa passar pela aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
As duas empresas que vendem o hormônio no Brasil dizem que ele não provoca danos à saúde humana porque as mudanças ocorrem apenas no organismo da vaca, e o leite se mantém inalterado.
O Ministério da Agricultura, que renovou neste ano a licença de comercialização do hormônio, concorda. Funcionários do ministério dizem que, até o momento, não receberam nenhum estudo conclusivo contra o produto, o que bastaria para que ele deixasse de ser vendido no Brasil. ''Se houvesse dúvidas quanto à eficácia e à segurança, não teríamos renovado o registro'', afirmou um dos funcionários.
Nos Estados Unidos, estima-se que 30% do gado leiteiro seja tratado com o hormônio do leite. A Elanco e a Schering-Plough não divulgaram dados sobre a quantidade de doses vendidas no Brasil. A Leite Brasil, entidade que reúne os produtores, também não tem estimativas.
''A maioria dos produtores não usa. Não tem havido um uso muito extensivo. Mas não é pelo fato de que poderia fazer mal. É pelo fato de que é caro'', afirma o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez. ''Ele é utilizado principalmente pelos grandes produtores de leite. Para os pequenos e médios, não é viável economicamente.''
O presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite, João Walter, também diz que não há ''evidências conclusivas''. ''Existem muitas coisas mais importantes com que deveríamos nos preocupar. Uma delas é a questão sanitária. Precisamos nos preocupar mais com a higiene do produto no País.'' De acordo com, um simpósio nacional sobre qualidade do leite será realizado na semana que vem, em Goiânia. ''A somatotropina não estará em discussão.'' (AE)

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