Produto de fora chega 'salgado'
Os donos de sacolões também estão contando os prejuízos. Lourenço Ribeiro de Campos diz que o resultado financeiro, em seu estabelecimento, já caiu 40%. Além de não encontrar produtos de boa qualidade, o preço, em alguns casos, triplicou. A solução, diz, foi tirar algum produto do pacote de preço único. A vagem, por exemplo, passou a ter preço específico de R$ 1,80. Há poucos dias, era vendida a R$ 0,85. As folhosas também subiram mais de 50%. Outros produtos sumiram. O que ficou, está queimado.
Outra proprietária de Sacolão, Nice Meneghel, só tem produtos para oferecer ao consumidor porque está trazendo de Jales (SP). Trabalhei muito tempo na Ceasa e tenho contatos com os produtores de outros Estados, comenta. Mas os preços chegam salgados. A caixa de vagem, que ela pagava R$ 12,00, custa R$ 28,00. Para o consumidor final, o preço de R$ 0,70 foi a R$ 3,00.
Quem mais reclama é o consumidor. Mesmo sapecada pela geada, as verduras estão caras. Mas a gente acaba levando, porque é duro comer sem uma verdurinha, resume o autônomo José Lourenço.
Em todo o Paraná, a situação das hortaliças não é diferente. As perdas causadas pela geada foram totais para folhosas produzidas fora de estufa. As hortaliças produzidas em estufas também foram prejudicadas. A oferta destes produtos caiu 50% e o preço subiu. A couve-flor, chegou a ter alta de até 150%, passando de R$ 8 para R$ 20 a dúzia. O preço do tomate subiu 66,67%, e o da alface crespa 25%, de acordo com dados da Ceasa.
A previsão da Ceasa é de que as altas continuem durante a semana. Entre os produtores de alface, as perdas não foram tão acentuadas por causa das estufas, plasticulturas e fumegação, que permitiram salvar algumas plantações, segundo Maurício Tadeu Lunardon, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural do Estado do Paraná (Deral). (B.B., Com Agência Estado)





