O IBQP-PR mede, analisa e elabora propos tas de melhoria da produtivi dade das empre sas, partindo do conceito de pro dutividade sistê mica. A produtividade é sistêmica porque depende do desempenho do conjunto da empresa e não de um ou outro de seus departamentos; de diversas variáveis, mas não somente aquelas que se relacionam aos aspectos estritamente técnico-econômicos do processo de produção; e da qualidade do ambiente macro e microeconômico externo às empresas.
Não estamos longe do tempo em que se pensava que os determinantes da produtividade das empresas se referiam a cada departamento da empresa, analisado isoladamente dos demais. Nos últimos 30 anos, essa concepção vem sofrendo fortes mudanças e, em seu lugar, têm sido difundidos os sistemas de administração, cujo princípio básico é a concepção sistêmica da empresa, a exemplo do Just in Time, Material Requirements Planning-MPR, Manufacturing Resources Planning-MPR II, Total Quality Management-TQM e, mais recentemente, do Optimized Production Technology-OPT baseado na Teoria das Restrições (TOC). O autor da TOC, Eliyahu Goldratt, no seu livro ''A síndrome do palheiro'', enfatiza a importância da visão sistêmica (ou global) da empresa presente em todos esses sistemas ao afirmar: a TOC insiste que a otimização local de cada departamento ou de cada máquina não garante a otimização total da empresa.
O Gerenciamento pela Qualidade Total lembra-nos que não é suficiente fazer certo as coisas em cada departamento, mas o importante é fazer as coisas certas para o sucesso da empresa. E o Just in Time tem como bandeira: não faça o que não for necessário para a melhoria contínua da empresa, vista como um processo produtivo integrado.
Apesar do desenvolvimento da visão sistêmica das empresas, ainda é muito comum a crença de que os determinantes da produtividade estão vinculados aos aspectos estritamente técnico-econômicos dos processos de produção. Os empresários que insistem em pensar dessa forma não estão percebendo que os fatores relacionados às relações de trabalho, às condições de vida dos seus trabalhadores (educação saúde, habitação, etc.) e ao meio ambiente (aproveitamento de resíduos, mitigação de custos associados aos impactos de degradação ambiental gerados pela empresa, etc.) vêm assumindo crescente importância para a produtividade das empresas. Dadas as transformações em curso nos padrões tecnológicos de produção de bens e serviços, a qualidade dos fatores de produção e não somente a sua quantidade é cada vez mais considerada como um dos principais determinantes da produtividade.
Também é muito comum a idéia de que os determinantes da produtividade estão relacionados estritamente ao âmbito da unidade empresarial. Essa idéia não leva em conta que a qualidade do ambiente macro e microeconômico externo às empresas é de fundamental importância para o desempenho da produtividade. Marcos político-institucional e macroeconômico estáveis são condições necessárias para promover a capacidade de agregação de valor e a produtividade das empresas. A qualidade e especialização da oferta de recursos humanos, de infra-estrutura física, de informação e de Ciência & Tecnologia também é crucial.
No entanto, dadas as tendências das empresas de se inserirem em mercados cada vez mais globalizados e concorrenciais, a produtividade ou a sua capacidade de agregação de valor em relação aos custos dos bens e serviços intermediários utilizados nos processos de produção está passando a depender crescentemente do seu potencial de apropriação de economias de aglomeração, de economias de aprendizado por interação e da eficiência coletiva do ambiente microeconômico. As economias de aglomeração se referem às possibilidades das empresas reduzirem seus custos através de economias de escala, externas à empresa individual, e que são criadas em decorrência do grau de concentração espacial das empresas e de atividades correlatas, a exemplo de serviços ligados à produção, rede de fornecedores e instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Já as economias de aprendizado estão relacionadas a ganhos econômicos das empresas que surgem de relações duradouras com clientes ou fornecedores, criando um aprendizado coletivo para a melhoria dos métodos de produção, qualidade dos produtos e maior capacitação tecnológica. Disso decorre a importância de refletir a produtividade das empresas no âmbito de suas networks, cadeia produtivas, clusters e arranjos produtivos locais.
Esse é o referencial analítico do conceito de produtividade sistêmica. O IBQP-PR vem desenvolvendo metodologias, técnicas e instrumentos que podem ser utilizados pelas empresas com objetivo de medir, analisar e orientar ações de melhoria da sua produtividade sistêmica.

- MARIANO DE MATOS MACEDO é economista e gerente do Núcleo de Produtividade Sistêmica do IBQP-PR
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