Produtividade é maior que área cultivada
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O significativo aumento da produtividade da agricultura brasileira nos últimos 30 anos permitiu poupar mais de 50 milhões de hectares de cerrado e florestas que poderiam ter sido desmatados para a abertura de novas áreas de plantio. Na opinião de Carlos Alberto Lauria, coordenador de agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área ''economizada'' funciona como uma reserva de espaço para futuras expansões de fronteiras.
Dados fornecidos pelo IBGE revelam que em 1975 o País produziu 39,3 milhões de toneladas de grãos em 32,8 milhões de hectares (ha). Em 2003, a expectativa é que a safra atinja 120 milhões de toneladas em 43,3 milhões de ha. Apenas no último ano, a produtividade cresceu 24,3% ante o aumento de 9% na área. ''Esses resultados decorrem do uso de tecnologia'', comentou.
Maior utilização de insumos, sementes de qualidade, maquinários eficientes e a atuação dos institutos de pesquisa no desenvolvimento de tecnologias adaptadas às diferentes regiões do País colaboraram para o aumento da produção.
Segundo Lauria, os principais investimentos dos últimos 30 anos se concentraram no Cerrado brasileiro, que também registrou a maior expansão de área. Na região, a produção aumentou a partir da introdução da cultura da soja, principalmente no Mato Grosso. Algodão, milho, arroz e feijão são outras culturas em expansão.
'O estado quase não utilizava tecnologia'', disse, justificando o avanço observado no Centro-Oeste. No sul do Piauí, norte da Bahia e Maranhão, a soja também foi viabilizada por novas técnicas agrícolas.
Nesses estados, a cultura de grãos visa principalmente às exportações, já que a distância com relação aos principais compradores é menor. É também nesses locais que ainda existem fronteiras agrícolas a serem expandidas. O técnico do IBGE explicou que nas regiões Sul e Sudeste, o aumento da produção decorre apenas da melhoria da produtividade, já que não há áreas disponíveis.
No Paraná, segundo o engenheiro agrônomo Flávio Turra, do departamento técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), a expansão de área é possível apenas em regiões ocupadas por pastagens, principalmente no Arenito Caiuá, onde existem 650 mil hectares disponíveis. O cultivo de grãos, porém, depende de investimento em tecnologias específicas para recuperar áreas degradadas. ''Mas as terras são altamente produtivas'', esclareceu.
Nos últimos 12 anos, enquanto a área ocupada por lavouras no Estado cresceu 14%, a produção aumentou 138% e a produtividade melhorou 96%. Esses resultados decorrem, principalmente, da utilização de sementes de melhor qualidade, em maior volume por hectare. ''O produtor está mais profissional'', comentou Flávio, acrescentando que a capitalização das últimas três safras também facilitou o investimento em tecnologia. Na safra 2002/2003, o Paraná colheu 28,5 milhões de toneladas de grãos.
Paraná teve 138% de aumento na produção em 12 anos devido à tecnologia


