Produtividade é caminho para recuperação em 2018
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sábado, 23 de dezembro de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
As indústrias da região Sul do País entram em 2018 com a expectativa de crescimento da receita líquida de 22,5% em relação a 2017, uma alta expressiva e acima da média nacional, de 19%, segundo a pesquisa "Agenda 2018", da consultoria Deloitte. O maior otimismo está sobre os fabricantes de veículos, peças e máquinas, que começaram a aumentar as exportações neste ano e que tendem a ter efeito cascata sobre outras atividades.
Apesar da nebulosidade pelo cenário político, representantes do setor no Paraná consideram que há espaço para otimismo, principalmente por considerarem que o fundo do poço para os empresários já está no passado e que a economia está mais descolada das ações em Brasília. No entanto, afirmam que é preciso manter o radar ligado para questões como aumento de impostos e reformas, sem deixar de fazer a própria parte em aumentar a eficiência nos negócios.
O presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, diz que os números de 2017 foram muito ruins no primeiro semestre e bons no segundo, o que fez com que o setor fechasse o ano com alta projetada de 5,1%. Apesar de eventuais freios ao crescimento como a Copa do Mundo e as eleições em 2018, ele afirma que mudanças como a reforma trabalhista criaram, para os empresários, o sentimento de que há segurança jurídica para investir. "Fizemos uma sondagem recente que mostra que há muito interesse em investir, ainda que na dependência de estabilidade política e econômica para que seja levado adiante", cita Campagnolo.
A taxa básica de juros em baixa e o fim do aumento do desemprego são pontos positivos, na visão do presidente da Fiep. "No fim desse ano já vimos uma oferta maior de crédito nos bancos comerciais, ainda que a análise de risco seja mais rigorosa", conta.
Porém, ele diz que é preciso ter atenção à necessidade de reformas, como a previdenciária e a tributária, e às ameaças de elevação de tributos por parte dos governantes. Um exemplo é o debate no Senado sobre a regra conhecida como Lei Kandir, de 1996, que concede a desoneração de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) a produtos primários e semielaborados destinados à exportação. "Essa medida tem um custo estimado entre 5% e 8% da receita para exportadores e é uma das maiores ameaças que temos no momento", afirma Campagnolo.

FIM DA QUEDA
Entre os setores industriais mais representativos na região de Londrina, a expectativa também é de retomada, ainda que a passos de tartaruga. O presidente do Sindimetal (Sindicato das Indústrias, Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Norte do Paraná), Valter Orsi, diz que o ano será desafiador porque, apesar de indicar recuperação, os consumidores estão mais exigentes. "A indústria tem de estar preparada para entregar com qualidade e com menor custo, então é preciso ter produtividade."
A meta é agregar inovação em todo o ecossistema industrial na região de Londrina, cita Orsi, e é preciso que o empresário busque investimentos. "A empresa precisa se capitalizar, buscar dinheiro no BNDES, desimobilizar algo para investir no parque industrial, porque hoje é difícil ter rentabilidade para fazer frente a uma prestação. Mas tem de iniciar o processo de modernização, ainda que com menor endividamento", cita, ao sugerir até a procura por investidores.
Ainda, o presidente do Sindimetal acredita que será preciso reduzir a ociosidade, capacitar a mão de obra e eliminar o retrabalho para continuar no mercado em 2018. E, na pauta política, considera que até mais importante do que a reforma previdenciária é a simplificação tributária. "A burocracia no Brasil é tão acentuada que onera a fabricação. Se tiver uma reforma tributária que somente simplifique, poderemos tirar gente do administrativo para colocar no parque industrial."
Para o presidente da Sima (Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas), Irineu Munhoz, as empresas do setor pararam de cair e se estabilizaram, ainda que em um patamar abaixo do ideal. "Teremos em 2018 uma recuperação lenta, mas não podemos falar em investimentos porque nossa capacidade instalada era grande e está subutilizada nos dois últimos anos", diz.
Munhoz explica que os empresários da região modernizaram as plantas em períodos anteriores e não ficarão desprotegidos tecnologicamente em relação à concorrência. A movimentação que o anima é, mesmo, o fim do crescimento do desemprego e a reação da demanda interna. "Perdemos funcionários em 2016 e neste ano temos saldo positivo, então há uma melhora na massa salarial", diz. "Fecharemos 2017 com um crescimento na produção de 15% a 20% e esperamos o equivalente em 2018."


