Curitiba - A produtividade do trabalhador brasileiro aumentou 19% na década passada. Cada trabalhador brasileiro gerou, em média, R$ 18.628,00 em riquezas em 2001. Em 1990, esse número era equivalente a R$ 15.554,00. Mesmo assim, a concentração de renda piorou no período, em prejuízo ao trabalhador. Os dados fazem parte do boletim de produtividade sistêmica do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP-PR), divulgado ontem.
A produtividade aumentou em quase todos os setores da economia, a exceção de serviços, que apresentou redução média anual de 0,78% no período. De acordo com a economista Kerlyng Cechhini, as atividades de serviços perderam competitividade porque estão absorvendo a mão-de-obra que saiu dos outros setores. ''Também há muita informalidade nessa atividade'', explicou.
Entre 1990 a 2001, a economia brasileira teve aumento médio anual de 0,99% na produtividade do trabalho; 0,87 no pessoal ocupado; e 1,86% no valor adicionado. Mas cada setor apresentou uma dinâmica própria. A agropecuária teve produtividade em 5,12% anuais e a indústria de transformação, 2,36%. Mas a análise apenas do período entre 1998 a 2001 mostra estabilização no nível de produtividade. A média anual desse período é de apenas 0,19%, contra 2,63% entre 1994 a 1997.
''Muitos autores falavam do aumento de produtividade para uma posterior estabilidade. Os dados estão mostrando justamente isso'', explicou Kerlyng. Entre 1998 e 2001 houve aumento do pessoal ocupado, a uma taxa de 1,97% ao ano. ''Nesse período muitas empresas foram instaladas, mas os trabalhadores não produziam de imediato, causando perda de produtividade'', avaliou o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva.
Entre 1990 e 2001, a renda apropriada pelos trabalhadores caiu de 45,37% para 37%. Por outro lado, a renda apropriada por empresários evoluiu de 32,56% para 40,97% (antes da dedução de encargos a pagar sobre ativos). De acordo com o editor do boletim do IBQP-PR, Igor Zanoni Leão, a entidade vai analisar como os dados rebateram na economia paranaense. ''A gente vê que no Paraná está havendo muita dificuldade dos municípios se sustentarem'', avaliou. Para ele, a economia brasileira só vai reagir quando o governo federal adotar programas que sustentem a renda e o emprego, como investimentos em infra-estrutura.

mockup