Arquivo FolhaSegredosPlantação de soja: segredos da produtividade são o plantio direto e a conservação do soloPelo segundo ano consecutivo o Paraná derrotou o Rio Grande do Sul e manteve a liderança na produção da soja, colhendo 6, milhões de toneladas, o que significa uma movimentação de R$ 1,7 bilhão na economia do Estado, sem contar a comercialização do farelo e do óleo no mercado externo. E a produção recorde deve elevar as exportações dos tradicionais 20% da safra para 35%, na avaliação de Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná.
A melhor produtividade foi o grande reponsável pela aumento da safra de soja, que obteve 2.680 quilos por hectare, quando a média tradicional é 2.400 quilos. Se a previsão do Departamento de Economia Rural se confirmar, a safrinha deverá render mais 100 mil toneladas, elevando a produção do Estado para 6,7 milhões de toneladas. Em 95, o Paraná colheu 5,62 milhões de toneladas de soja e este ano 6,44 milhões de toneladas. A área plantada também aumentou, passando de 2, milhões de hectares para 2,5 milhões este ano.
Todas essas conquistas são resultado de investimentos realizados por produtores - que estão optando pelo plantio direto para aumentar o rendimento - e pela Secretaria de Agricultura e do Abastecimento no programa de conservação e manejo do solo.
A técnica do plantio direto aumenta a resistência da cultura contra a estiagem por preservar maior volume de matéria orgânica no solo. Como a perda de umidade é menor, os insumos aplicados na lavoura - adubo e defensivos - não escorrem com facilidade quando as chuvas chegam. O plantio direto é uma iniciativa pioneira do Paraná. Começou na década de 80 em Ponta Grossa e hoje já responde por 44% da área de soja do Estado. A opção pelo plantio direto é reflexo dos investimentos que o produtor vem realizando para melhorar a tecnologia da lavoura. Otmar Hubner acredita que a produtividade da soja no Paraná tende a melhorar mais ainda: ‘‘O Iapar, a Ocepar e a Embrapa vêm se esforçando na geração e colocação no mercado de um material genético melhorado, com variedades mais produtivas e resistentes a doenças’’.
A tão festejada fertilidade das terras do Norte e do Oeste do Estado, onde a terra roxa predomina, começou a decair alguns anos atrás devido ao esgotamento da matéria orgânica do solo e à perda de insumos levados pelas enxurradas. Com o passar dos anos o solo tornou-se compactado, incapaz de reter umidade e provocando grandes prejuízos tanto durante as estiagens quanto na época das chuvas.
Com a implantação dos programas de manejo e conservação de solos o potencial produtivo foi resgatado e a fertilidade natural retornou ao solo, notadamente nos últimos três anos. Em 95, a produtividade avançou de 2.400 kg por hectare para 2.557 kg e no ano passado atingiu o recorde de 2.730 kg por hectare.

mockup