Produtividade da soja surpreende no PR
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de março de 1999
Vânia Casado 
A produtividade da soja no Paraná, da safra 98/99, está surpreendendo produtores e cooperativas. O clima foi favorável ao desenvolvimento da cultura e o rendimento obtido é de 2.800 quilos por hectare, índice superior ao da safra passada que foi de 2.568 quilos por hectare. Com o aumento da produtividade, a Secretaria da Agricultura reavaliou a estimativa de produção de 7,3 milhões para 7,4 milhões de toneladas, o que consolida a produção recorde no Estado pelo quinto ano consecutivo.
Os maiores índices de produtividade estão sendo verificados na região Oeste, onde o rendimento alcançado é de 3.000 quilos por hectare, um aumento de 11% sobre a produtividade média alcançada na safra anterior, que foi de 2.700 quilos por hectare. Na região de Guarapuava, a produtividade aumentou 7% em relação à safra passada. E na região de Ponta Grossa, onde é hábito dos produtores investir em tecnologia, o rendimento está estabilizado num patamar alto, em torno de 2.900 quilos por hectare. Na região de Campo Mourão, a produtividade média é de 2.800 quilos por hectare.
A cultura da soja foi favorecida pelo clima, apesar do atraso no plantio ocorrido na região Norte, em função da estiagem ocorrida em novembro do ano passado. Isso levou os produtores a intensificar o controle sobre as doenças fúngicas. Segundo Flávio Turra, técnico da Ocepar, os produtores de soja não estavam muito habituados a usar fungicidas porque achavam que as doenças não iriam prejudicar as plantas em final de ciclo. Ocorre que os sojicultores perderam muito em produtividade na safra passada, com a incidência dessas doenças quase no período da colheita e desta vez tentaram garantir uma boa produção.
Com 40% da área colhida, a oferta de soja no Estado corresponde a 3,14 milhões de toneladas. Cerca de um terço desse volume já foi vendido. Os produtores que colheram mais cedo se anteciparam à queda do dólar e comercializaram a produção mais rápido. O aumento no preço do frete, entre 25% a 30% reflete essa corrida para exportar logo o produto, disse Flávio Turra. Como a tendência do câmbio é baixar, os produtores estão aproveitando para acelerar a comercialização, explicou.
A partir de abril, a colheita de soja será intensificada e a comercialização também, disse Turra. Ele prevê que este ano 75% das operações de venda da soja serão concentradas entre os meses de março, abril e maio. E o restante, aos poucos, até o fim do ano. Normalmente, 60% da comercialização se concentra nesses três meses e 40% é diluída nos outros meses do ano.


