Genebra - A produtividade do trabalhador brasileiro teve um crescimento insuficiente na última década para reduzir a pobreza no País. Segundo dados publicados ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), um brasileiro proporcionava em média US$ 13,2 mil por ano com seu trabalho em 1990. Em 2001, sua produtividade era de apenas US$ 14,2 mil por ano, inferior às taxas registradas em 1980, que mostravam um geração de PIB por trabalhador de US$ 14,8 mil.
Mas em pelo menos um setor o Brasil apresentou índices recordes. O trabalho na agricultura nacional teve um aumento de produtividade de 65,3% nos últimos dez anos. Mesmo assim, o setor não conseguiu criar postos de emprego de forma suficiente para diminuir a pobreza no campo. Segundo a OIT, o número de empregos no campo caiu 14,9% entre 1993 e 2001. Para a autora do relatório, Dorothy Schmidt, esse fenômeno se explica pela concentração de investimentos no agronegócio, e não na agricultura familiar. ''Os países não se utilizam de seus setores agrícolas como poderiam e se esquecem da questão da pobreza'', afirma a especialista.
Na avaliação de Schmidt, a agricultura como fonte de postos de trabalho está sendo negligenciada na América Latina. Ela ainda aponta que, sem uma reforma agrária e investimentos em infra-estrutura, os ganhos na produtividade não conseguirão ser traduzidos para a parcela mais pobre da população rural. ''A produtividade pode estar aumentando, mas sem uma reforma agrária esse crescimento não chegará aos pobres'', afirma.
A aposta da OIT na agricultura como forma de combater a pobreza tem um motivo: 75% dos pobres estão no setor rural no mundo, que emprega 40% da população dos países emergentes. No caso do Brasil, o cenário é diferente e apenas 20% da população está no campo. Mesmo assim, a OIT estima que é no campo que a maior parte da parcela pobre da população está vivendo.
Outra sugestão da OIT é a de reforçar o papel das pequenas e médias empresas, que em alguns países empregam mais de 60% dos trabalhadores. O setor de serviços também é apontado como uma saída para a questão do trabalho.

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