A economia dos Estados Unidos deu ontem mais um sinal de desaquecimento. A produtividade dos trabalhadores americanos caiu 1,2% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2000. Foi o primeiro recuo em seis anos e o maior desde o primeiro trimestre de 93, quando a produtividade despencou 5%. Enquanto isso, o custo da mão-de-obra teve a maior alta em dez anos.
De acordo com o Departamento do Trabalho, a expectativa era que a queda na produtividade não ultrapassasse 0,1%. O resultado negativo reduz o efeito positivo do trimestre anterior, quando houve um ganho de 2%.
O custo da mão-de-obra também registrou um resultado pior do que o esperado pelo governo: subiu 5,2% nos primeiros três meses, o maior índice desde o último trimestre de 90, reduzindo as margens de lucro.
A produtividade é calculada pelo valor produzido no período de uma hora. O setor agrícola não entra no cálculo.
Os números trazem renovadas preocupações para o Fed, cuja próxima reunião ocorre no final do mês. Se por um lado a queda na produtividade sugere a necessidade de outro corte nos juros, o custo de mão-de-obra exerce pressão inflacionária e recomenda uma posição conservadora.
‘‘Não há como aumentar os salários sem que a produtividade suba e não haver mais tarde um efeito nos preços de serviços e produtos’’, afirmou Michael Swanson, economista-sênior do banco Wells Fargo.
Para Kim Rupert, economista-sênior da Standard & Poor’s, a queda na produtividade aprofunda a sensação dos mercados de que o cenário de rápido crescimento e baixa inflação faça parte do passado.

mockup