Brasília - O aumento da produtividade agrícola é mais influenciado por investimentos em pesquisa do que pela liberação de crédito rural. Estudo, ainda inédito, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, revela que a cada 1% de aumento no volume de recursos destinados à pesquisa ocorre um aumento imediato de 0,17% na produtividade total da agricultura brasileira. No caso do crédito rural, esse efeito é de apenas 0,06%.
''Gasto com pesquisa é mais importante que crédito rural'', afirma o estudo. ''A experiência de países industrializados sugere que, a longo prazo, a produtividade total dos fatores no setor agrícola deve crescer 1,5% a 2% ao ano, e que dois terços desse crescimento ocorrerão em razão do investimento em pesquisa e extensão'', avaliam os técnicos do Ipea.
O estudo, conduzido pela professora Mirian Bacchi, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), com mais quatro técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea, estimou o índice de produtividade total da agricultura brasileira de 1975 a 2002 e a evolução de seus principais condicionantes, como os investimentos feitos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desembolsos realizados na esteira de políticas de crédito rural e a relação de troca entre preços recebidos pelos agricultores e preços pagos pelos insumos adquiridos ao longo do período.
De acordo com o trabalho, a agricultura brasileira registrou uma taxa anual média de crescimento da produtividade de 3,30% entre 1975 e 2002. Na década de 90, essa taxa foi de 4,88%, e no início dos anos de 2000, um crescimento médio de 6,04%. ''O crescimento do índice de produto foi muito superior ao índice de insumos, o que revela crescimento em decorrência da produtividade'', afirmam os técnicos. As taxas brasileiras superam às registradas pelos Estados Unidos, que de 1990 a 1999 apresentou um crescimento de 1,57%, em média, em sua produtividade total no setor agrícola.
O estudo indica que tanto o investimento em pesquisa quanto a liberação de recursos via crédito rural geram resultados mais fortes no segundo ano após sua aplicação.
O aumento de recursos para pesquisa gera, neste caso, um crescimento de 0,22% na produtividade, enquanto o crédito rural resulta num impacto de 0,11%. Para os técnicos, os resultados do estudo devem ser considerados pelo governo na hora de definir políticas para o setor. ''Esse são instrumentos da maior relevância em política agropecuária'', destacam.

mockup