A antecipação do plantio, o encurtamento do ciclo da cultura e o aumento do potencial produtivo resultaram em grande alteração no germoplasma da soja. Essa avaliação é do engenheiro agrônomo do Instituto Phytus e professor da Universidade Federal de Santa Maria (RS), Ricardo Balardin, que também recebeu o prêmio na categoria Oleaginosas pelo seu trabalho ''Proteção do potencial produtivo de cultivares de soja através do Sistema AgCelence''.
Balardin explica que esses fatores causaram a diminuição da rusticidade da soja, que se tornou mais vulnerável à ação de patógenos. Como consequência, o aumento do número de aplicações de agrotóxicos aumentou. ''O mercado buscou alta produtividade, mas isso é sustentável?'', questiona.
Segundo ele, atualmente o Brasil executa metade do potencial produtivo da cultura. ''Os sistemas de semeadura também influenciaram o processo de diminuição radicular, que aumenta a vulnerabilidade da planta'', aponta. O agrônomo afirma que as plataformas precisam ser integradas. ''Os produtos têm ação pontual, mas para obter resultado é preciso planejar de forma contextual envolvendo todas as fases da cultura'', argumenta.
Balardin afirma que a busca por cultivares que apresentem equilíbrio entre produtividade e tolerância à doenças e pragas é um desafio para as instituições de pesquisa. ''O germoplasma é o ponto central de uma plataforma integrada para o manejo sanitário. A partir dele, se adequa o resto'', avalia. Segundo ele, hoje o germoplasma ainda é pontual, o que traz preocupação.
De acordo com o diretor de Negócios Especialidades da Unidade de Proteção e Cultivos da Basf, José Munhoz Felippe, as sementes aparecem como principal fator potencial de ganho de produtividade, com 26% do total.(M.F.)

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