Produção teve maior queda em setembro
A atividade da indústria brasileira caiu 2,4% em setembro, em comparação com agosto, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior queda registrada este ano pelo instituto, que havia apontado baixas sucessivas nos meses anteriores. O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales, projetou para 1998 queda de 1% a 1,5% da atividade industrial - o primeiro resultado negativo desde 1992, quando houve retração de 3,7%.
O IBGE registrou atividade industrial 1,1% menor no período entre outubro de 1997 e setembro - a primeira marca negativa apontada pelo PIM, em 12 meses, desde novembro de 1996. Na comparação com setembro de 1997, o resultado do mês passado é pior: queda de 6%. A produção durante este ano, que até agosto havia caído 0,9%, caiu 1,5%, em setembro.
A pesquisa também mostrou que, ao invés de a produção industrial subir a partir do segundo semestre, como era esperado, caiu mais ainda: 2,9% no terceiro trimestre deste ano comparado com o do ano passado. No primeiro semestre deste ano, o nível de atividade também ficou abaixo do mesmo período em 1997, mas a diferença era menor (-0,5% no primeiro trimestre e -0,9% no segundo trimestre).
Apesar da série de dados negativos, Sales lembrou que a queda de produção no mês passado não foi tão acentuada como no fim do ano passado, quando as quedas foram de 3,9% em novembro, e 4,2% em dezembro, consequência da crise asiática de 1997.
O economista do IBGE lembrou que a indústria
automobilística já havia se ajustado à redução da atividade econômica nos meses anteriores, o que contribuiu para o pequeno aumento da produção de bens duráveis em setembro, de 0,2%. Em compensação, setores que pareciam não ter sido atingidos pela crise tiveram quedas mais sensíveis, como bens de capital (-3,3%) e bens intermediários (-2,8%). Os bens de consumo semiduráveis e não-duráveis tiveram queda de 1,8%, mas este desempenho ainda ficou acima da média do mês.
Ao divulgar a pesquisa pela manhã, Sales disse que a queda de juros, esperada mas ainda não anunciada àquela hora, teria efeito na atividade industrial de acordo com as expectativas que criasse para o comércio. O economista previu que a indústria terá um desempenho moderado no primeiro semestre de 1999, e somente a partir da segunda metade do ano que vem vai haver uma reação mais significativa.





