O novo chefe geral da Embrapa Soja, o pesquisador José Renato Bouças Farias, empossado ontem em Londrina, terá como desafio colocar a unidade em sintonia com a nova fase da Embrapa no Brasil: foco no desenvolvimento em pesquisas que priorizem a preservação dos recursos naturais na agricultura, mas sem descuidar do desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes às pragas e doenças.
O presidente da entidade, Maurício Lopes, que participou da cerimônia de posse, revela que a Embrapa já realizou a sua primeira grande revolução no agronegócio brasileiro, que foi enriquecer o solo nos lugares em que antes não se poderia plantar, conquistada por meio de pesquisas voltadas para a criação de novas variedades de plantas e também o desenvolvimento de um bom sistema de manejo. "Agora, a segunda grande revolução que queremos colocar em prática está focada na sustentabilidade no setor", frisa.
Lopes destaca que a Embrapa irá trabalhar daqui por diante na inserção de novas tecnologias para os pequenos produtores, possibilitando a eles técnicas mais avançadas de produção que estão alinhadas com a sustentabilidade. "Os pequenos produtores não têm acesso ao mercado". Com o apoio da Embrapa, o foco é levar a eles novas tecnologias de manejo e produção. Questionado pela FOLHA se a instituição possui recursos suficientes para bancar novas pesquisas, Lopes destaca que o orçamento disponibilizado pelo governo federal é crescente.
Na Embrapa Soja, o novo chefe revela que alguns projetos só acontecem por meio de parcerias com instituições públicas ou privadas, a exemplo das grandes empresas de sementes. Farias explica que os desafios de assumir um cargo como este são muitos, sendo que os problemas serão resolvidos à medida em que eles forem aparecendo. "Porém, estamos tentando antevê-los, principalmente por meio da antecipação das pesquisas", esclarece.
Na solenidade de posse, Farias destacou que o mercado está cada vez mais exigente, salientando que as tecnologias devem ser voltadas também para a preservação dos recursos naturais. "Precisamos de um sistema de produção mais tecnificado. Ou seja, queremos ações pró-ativas na instituição, mas sei que isso não é uma tarefa fácil", destaca. Ele acrescenta que a Embrapa Soja precisa aprimorar as redes de pesquisas.

Substituição
Farias assumiu o lugar de Alexandre Cattelan, que esteve no cargo por duas gestões. Durante a sua administração (2008-2013), foram lançadas novas variedades de soja e trigo, além de ter sido ampliado o banco de germoplasma de soja da entidade de 12 mil para 33 mil acessos. Outros feitos positivos foram a renovação de 35% do corpo de funcionários, criação de novos laboratórios de biotecnologia, realização de testes em lavouras comerciais, entre outras ações.
Segundo o presidente da Embrapa no País, o cargo é cíclico, trocando de direção a cada três anos. Maurício Lopes lembra que a escolha de um novo dirigente de uma unidade, que somam em todo o País 47, é realizada por meio da avaliação do currículo e também pela trajetória de pesquisas realizadas pelo candidato.
José Renato é formado em engenharia agronômica pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), possui mestrado em produção vegetal e doutorado em Fitotecnia/Agrometeorologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pesquisador da Embrapa Soja desde 1990, onde liderou vários projetos e grupos de pesquisas.

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