Produção residencial cai 50% em Curitiba
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A construção de imóveis residenciais em Curitiba caiu 49% no período janeiro a outubro deste ano. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Paraná, Ramon Dória, a construção de residências este ano atingiu apenas 1.792 unidades, a menor produção dos últimos 10 anos. Dória atribui essa queda à falta de renda da classe média e à falta de financiamentos de bancos particulares que não cumprem a resolução do Banco Central (BC) que manda aplicar 56% da poupança no financiamento da casa própria.
Para Dória, não são apenas os empreendimentos imobiliários de maior porte que foram prejudicados em 2003. A julgar pela queda de 6% no consumo de cimento este ano, até as construções mais simples e reformas de casas foram prejudicadas em 2003. De acordo com estimativa do Sinduscon, a queda estimada em 8,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor, já está refletindo em desemprego.
Com a crise no setor houve uma reversão na tendência da construção. As obras verticais (prédios) foram substituídas pelas obras horizontais (casas e sobrados), que são empreendimentos mais baratos. Atualmente 80% das construções são horizontais e 20% verticais. Os empresários reduziram as obras verticais em função dos altos custos.
Dória culpou o governo federal por essa ''parada'' no mercado. Para ele, o governo Lula só está preocupado em aprovar as reformas da previdência e tributária este ano, e não cuidou de alavancar a economia com investimentos que deveriam gerar empregos.
Outra preocupação de Dória com o mercado da construção civil é o aumento da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que deve vigorar a partir de fevereiro de 2004. A alíquota muda de 3% para 7,6%, e segundo Dória vai aumentar os custos do setor. Segundo ele, como as construtoras não podem abater créditos da Cofins sobre mão de obra, bastante utilizada nos serviços, o impacto será muito grande, disse o empresário.
Para Dória, a produção imobiliária em Curitiba só não foi menor em função da construção de novos shoppings, o que reduziu o déficit total da construção civil. Mas o empresário vê uma esperança neste cenário de redução da atividade. Como a produção de imóveis foi bastante reduzida, uma pequena retomada da economia o setor vai recuperar o que perdeu nos últimos anos.
Dória afirmou ainda que as perspectivas para 2004 são animadoras. O governo está sinalizando que a Caixa Econômica Federal poderá dobrar o financiamento para moradias populares. Parte da liberação de recursos deverá ocorrer através de licitação.


