Para o diretor do Deral, Otmar Hubner, que acompanha a trajetória do trigo no Paraná desde a década de 1980, após a abertura do mercado, em 1992, a produção nacional passou a concorrer com os padrões de qualidade internacionais. Além disso, devido a estrutura logística nacional, o trigo importado chega com valores equivalentes ao brasileiro no Sul do País e, até mesmo, a preços mais baixos no Norte e Nordeste.
Segundo Hubner, a qualidade do trigo nacional vem aumentando ao longo dos anos, mas ainda pode melhorar. Hubner lembra que os moinhos medem a qualidade industrial do trigo, enquanto os produtores e cooperativas avaliam a qualidade agronômica do produto. ''Nesse sentido, a tabela com os padrões de qualidade do trigo nacional está sendo mudada e já entrará em vigor na próxima safra'', afirma.
Além da questão comercial, diz ele, o preço também precisa melhorar para remunerar o produtor. Atualmente, o custo total para o trigo é de, em média, R$ 43 por saca no Paraná, e o custo operacional é de R$ 33. Diante disso, Hubner avalia que o preço mínimo de R$ 28,62 para o trigo tipo 1 pão ainda não consegue trazer rentabilidade ao triticultor paranaense.
O diretor do Deral aponta que algumas medidas poderiam ser adotadas para amenizar a situação, como a melhora na infraestrutura de transporte para escoar a produção do Sul do País para o Norte e Nordeste, o aumento da produtividade - que tornaria o trigo mais competitivo internacionalmente - e a redução da carga tributária e da taxação sobre defensívos agrícolas para dimunuir os custos.(M.F.)

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