A Electrolux do Brasil - empresa com sede em Curitiba - registrou queda de 25% na produção no último trimestre. A redução foi consequência direta do comércio varejista, que dá sinais de desaquecimento em todo o País. Para contornar o problema, a empresa concedeu férias coletivas aos trabalhadores, que só retornam à fábrica no próximo dia 6 de agosto. A empresa afirma que foi a primeira queda acentuada nas vendas desde o início do Plano Real.
As férias coletivas atingem 3 mil funcionários das unidades fabris de Curitiba e São Carlos (SP). Desde segunda-feira eles estão em casa. As duas fábricas somam 5,6 mil empregados.
A idéia inicial da Electrolux era manter as férias coletivas por um período de 20 dias, mas houve a prorrogação para um mês. Antes das férias, a Electrolux adotou o sistema de ‘‘banco de horas’’, no qual o trabalhador tem a jornada de trabalho diária reduzida, acumulando horas excedentes para os períodos de pico na produção.
A diretoria da Electrolux, através da assessoria de imprensa, informou que a queda nas vendas no mercado nacional está sustentada em dois fatores básicos: contenção de consumo e crescimento da inadimplência. As vendas dos produtos da linha branca (geladeiras e freezers) têm sido decrescentes desde maio. A Associação Comercial do Paraná registrou queda de 13% nas vendas, em junho em relação a maio.
A Electrolux coloca ainda a política de juros altos como fator determinante para frear as vendas no varejo. A diretoria diz ainda que os juros elevados reduzem o déficit da balança comercial, mas acabam provocando um aumento na inadimplência. No caso da Electrolux, o que sustentava a produção era o crediário, cuja procura acabou despencando em todo o País.
Normalmente, nos meses de inverno há uma retração na produção da linha branca. Mas no ano passado, a euforia das vendas a prazo permitiu que a Electrolux mantivesse a produção inalterada.
Com faturamento bruto de R$ 1,1 bilhão em 96 e líder absoluta em vendas de freezers com 50,1% do mercado nacional, a Electrolux vendeu 2,3 milhões de unidades (freezers verticais e horizontais, refrigeradores e lavadoras de roupa) em 96. O volume total de vendas entre as demais empresas do setor foi de 6,7 milhões de unidades em todo o País.

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