A indústria moveleira do País deve fechar o ano com 10,1% de crescimento em valores e de 4,4% em volume de vendas, segundo dados do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), mas o setor precisou de ajustes para chegar ao resultado. Fabricantes do polo de Arapongas afirmam que foi necessário reduzir a produção e o número de postos de trabalho para terminar o ano com ampliação de receita de 5% a 10% na região.
Conforme o estudo "Indicadores de Móveis e Colchões do Brasil", do IEMI, o varejo também apresenta índices de alta de 4,9% no volume e de 10% em valores, o que equivale a R$ 58,6 bilhões. Porém, depois de colher os frutos da desoneração feita pelo governo para a indústria moveleira em 2012, o setor passou a patinar. "A retirada do incentivo e a elevação dos juros reduziram o potencial de crescimento", explica o diretor do Iemi, Marcelo Prado.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Madeira de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli, diz que a solução que os fabricantes da região encontraram foi o ajuste produtivo. "Muitas empresas diminuíram a oferta de produtos para tentar recuperar os lucros pela margem maior sobre o preço. No ano passado a oferta estava muito maior do que a demanda e o valor do produto caiu", afirma.
Com a produção menor, ele conta que houve a necessidade de menos funcionários. No entanto, diz que há estabilidade no número de empregos em relação a 2012, com viés de queda. "Houve algumas dispensas que não foram repostas, mas não muitas", afirma. Por isso, Poliseli conta que o aumento entre 5% e 10% para valores de vendas deve ocorrer mesmo que o volume fique estável.
O presidente do Sima diz que, depois que o programa federal Minha Casa Melhor passou a abranger a compra de móveis de cozinha, estantes e racks, as vendas melhoraram um pouco. "Mas isso começou há uns 30 dias. Não é o bastante para garantir crescimento de produção neste ano. Fica a expectativa de que melhore para o ano que vem", diz Poliseli. O programa federal é destinado a pessoas de baixa renda que financiaram imóveis pelo Minha Casa Minha Vida.
Para o diretor do Iemi, o cumprimento da expectativa depende dos resultados de dezembro. Como móveis são considerados bens duráveis, que não são trocados em todos os anos, a renovação dos estoques depende de incentivos ao consumo, como no caso do IPI, ou das vendas de fim de ano. "É fato que, independentemente de eventuais incertezas, as vendas de mobiliário no mês de dezembro devem alcançar um valor 62% superior à média mensal do restante do ano", diz Prado.

Consumo aparente
De acordo com o levantamento, a previsão para este ano é que o consumo aparente, que é o resultado da soma da produção com a importação, menos a exportação, feche em alta de 5,2%. O saldo equivale a 514 milhões de peças, com participação dos importados em 2,6% e de exportados em 3%.
A projeção de 15 milhões de móveis vendidos ao exterior neste ano é 15,4% menor do que os 18 milhões do ano passado. No Iemi, a expectativa é que a desvalorização do real diante do dólar no segundo semestre de 2013 dê mais fôlego para a indústria moveleira no início do próximo ano.

Imagem ilustrativa da imagem Produção moveleira deve fechar ano com alta de 10%
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