Curitiba - Em média, 58% da produção mineral paranaense, entre 1995 e 2000 (12 milhões de toneladas/ano), saíram da Região Metropolitana de Curitiba, que também respondeu por quase 60% da arrecadação do setor com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) média anual de R$ 75 milhões . Os dados fazem parte do Plano Diretor de Mineração (PDM) da Grande Curitiba, apresentado, ontem, pela Minerais do Paraná S.A. (Mineropar). Os estudos levaram um ano e meio para serem concluídos.
Além de levantar a importância econômica da extração mineral para o Estado, o PDM servirá de base para o Plano de Desenvolvimento Integrado da Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). Será também um importante subsídio para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) nas ações de fiscalização da atividade.
''O PDM dá a oportunidade de saber, por exemplo, quais são e onde estão os conflitos entre a atividade mineral e outros usos do solo'', destacou o diretor-presidente da Mineropar, Eduardo Salamuni. Os maiores conflitos entre urbanização e a exploração mineral, segundo ele, foram identificados em Colombo.
Salamuni estima que, atualmente, a região metropolitana produza entre 20 milhões e 25 milhões de toneladas de minérios por ano, respondendo por 22% da arrecadação estadual com o ICMS. A região tem a terceira maior jazida de calcário do País e é vital para o agronegócio paranaense, já que o custo do produto em outros estados chega a ser o dobro ou triplo do minério da Grande Curitiba. Enquanto na região metropolitana, o calcário (usado como corretivo do solo) custa R$ 11 a tonelada, em São Paulo é vendido a R$ 25 e em Mato Grosso do Sul a R$ 30 a tonelada.
De acordo com o diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Miguel Antonio Cedraz Nery, o plano da Região Metropolitana de Curitiba servirá de modelo para outros estados ''pelo seu aspecto inovador''. O PDM usa um sistema de informações georrefenciadas, que permite atualização constante dos dados, sem a necessidade de refazer todo o trabalho de campo.
''O problema básico do ordenamento do solo urbano é a extração mineral em função do conflito de interesses por áreas para ocupação habitacional. Por isso a necessidade do zoneamento'', afirmou.
Nery defende a previsão de áreas para exploração mineral no entorno das cidades, que são extremamente dependentes dos produtos originários da atividade.
O diretor-geral do DNPM adiantou que pretende renovar a parceria com a Mineropar para dar continuidade ao plano diretor da Região Metropolitana de Curitiba. Nery adiantou, ainda, que no próximo mês, a ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, lançará o Plano Nacional de Agregados da Construção Civil, que também buscará disciplinar a exploração de minerais como areia, brita e argila.

mockup