A indústria brasileira produziu no primeiro semestre deste ano 1,7% a mais do que no segundo semestre de 1997, em números dessazonalizados (que eliminam desvios provocados pela época do ano), voltando aos patamares anteriores à crise asiática. De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial média do semestre é a maior dos últimos 25 anos, quando foi iniciada a série estatística. Em junho, a indústria cresceu 1,9% na comparação com o mês anterior e 7,6% em relação a junho de 1999.
O chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, observa que além de voltar aos níveis de produção anteriores à crise, o setor também está conseguindo retomar seu ritmo de crescimento. ‘‘A taxa de crescimento acumulada em 12 meses no mês de junho ficou em 4,2%, próximo à taxa anualizada de 4,8% registrada em novembro de 1997’’, explica. Sales observa que em dezembro de 1999 este índice anualizado estava negativo (-0,7%) e recuperou-se gradativamente ao longo do primeiro semestre do ano.
O coordenador de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, acredita que o crescimento registrado pelo IBGE demonstra um movimento consistente. ‘‘A economia brasileira teve, em 1998 e 1999, anos muito difíceis, mas agora está se recuperando’’, diz Castelo Branco. ‘‘Não vejo razão para que esta tendência mude’’, observa.
De acordo com os números do IBGE, os bens de consumo duráveis estão puxando o crescimento da produção industrial, com uma expansão em junho de 2,8% na comparação com o mês anterior e de 25,1% em relação a junho do ano passado. Castelo Branco acredita que dois fatores principais estão provocando este crescimento: a queda da taxa de juros, que facilita os financiamentos, e a melhora no mercado de trabalho. ‘‘Mesmo que os índices de desemprego não tenham se reduzido significativamente, houve um aumento no emprego e quem está trabalhando se sente mais seguro para consumir’’, avalia.
Os bens de capital também apresentaram crescimento significativo, de 2,2% na comparação entre junho e maio e de 11,8% em relação a junho de 1999. A produção de bens intermediários cresceu em junho 1,3% em relação ao mês anterior e 8,3% na comparação com junho de 1999. Sílvio Sales destaca a importância dos crescimentos registrados nestas categorias, que influenciam diretamente outras etapas da produção industrial. ‘‘O crescimento na produção de bens de capital ajuda a evitar os gargalos estruturais que podem, posteriormente, dificultar o crescimento da indústria’’, explica.

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