Rio de Janeiro - A produção industrial brasileira registrou alta de 1,2% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a fevereiro do ano passado, o crescimento foi de 5,4%. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgados ontem, confirmam a retomada da atividade industrial.
Em janeiro, a indústria brasileira havia encolhido 1,3% em relação ao mês anterior, o que colocou dúvidas sobre o processo de recuperação do setor em relação ao desaquecimento registrado em meados do ano passado devido às altas taxas de juros e à crise política. O IBGE, entretanto, defendeu que a queda do mês passado teria apenas refletido uma normalização dos níveis de estoques, que teriam levado ao freio na produção. Com o resultado positivo de fevereiro, a produção industrial acumulada alta de 3% em 12 meses.
Entre as categorias de uso, houve alta principalmente com os bens de consumo duráveis (móveis, eletrodomésticos e veículos), de 6%. A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) avançou 1,5%, e a de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (roupas e alimentos), 1,7%. Por outro lado, os bens intermediários (insumos industriais) tiveram um queda de 0,6%.
Por atividade, a alta de 1,2% na produção entre janeiro e fevereiro atingiu 15 dos 23 ramos pesquisados pelo IBGE. As altas mais significativas foram da indústria farmacêutica (26,2%), veículos automotores (4,8%), máquinas e equipamentos (2,6%) e bebidas (3,7%). Por outro lado, houve queda nos segmentos de metalurgia básica (-4,8%) e outros produtos químicos (-1,5%).
Os dados de fevereiro divulgados pela CNI mostram que a recuperação da atividade industrial começou antes do esperado - previsão era retomada a partir de março. Três dos quatro indicadores analisados pela CNI apontam nesse sentido, sendo o aumento do número de horas o maior destaque.
Em fevereiro, as horas trabalhadas na indústria cresceram 2,08% na comparação com janeiro - já desconsiderando os fatores típicos das diferentes épocas do ano. Além do crescimento nas horas trabalhadas a indústria registrou discreta expansão no contingente de trabalhadores: aumento de 0,4% (descontando efeitos sazonais). Na avaliação da CNI, a variação foi uma ''surpresa positiva''. O terceiro indicador industrial que apresentou variação positiva foi o nível de utilização da capacidade instalada, que subiu de 80,6%, em janeiro, para 80,9%.

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