Rio Após três meses de estagnação, a produção industrial brasileira voltou a acelerar o ritmo de atividade e fechou maio com aumento de 1,3% em relação a abril e de 5,5% ante maio do ano passado, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem. Com este crescimento, a produção de maio atingiu o maior nível histórico desde o início da pesquisa do instituto, em 1991. O recorde anterior havia sido atingido em dezembro passado. Segundo o IBGE, os resultados demonstram ''uma mudança de trajetória, saindo de estabilidade para um crescimento que atinge todas as categorias''.
Os bons resultados são atribuídos aos efeitos positivos do crédito e do crescimento das exportações. O aumento da produção de petróleo, o maior número de vagas no mercado de trabalho e a queda da inflação também influenciaram o desempenho da indústria, segundo Isabela Nunes Pereira, economista da coordenação de indústria do IBGE. Ela destacou os dados auspiciosos do índice de média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência. O trimestre encerrado em maio teve produção 0,9% maior que o trimestre encerrado em abril, após meses de estabilidade.
O fim da paralisação em plataformas de petróleo e o início de operação de novas embarcações impulsionou a atividade industrial em maio. Ante abril, o refino de petróleo e produção de álcool (7,6%) e o grupo de indústrias extrativas (2,0%, incluindo também minério de ferro) puxaram o bom desempenho. Na comparação com maio de 2004, um dos principais impactos para o crescimento foi dado também por indústrias extrativas (17,4%) e refino (10,4%).
Concentração Economistas de consultorias como a MB Associados e o banco Bradesco chamaram atenção anteontem para o que consideram uma concentração do crescimento da produção, em maio, no refino de petróleo e álcool, minério de ferro e material eletrônico.
''Se fizermos uma análise mais atenta do resultado da pesquisa do IBGE, verificamos que o crescimento da produção industrial não é generalizado, mas sim concentrado em determinados setores, como os de refino de petróleo e de álcool e de equipamentos de informática'', alerta relatório do Bradesco sobre o assunto.
Isabela, no entanto, advertiu que os sintomas de aumento de ritmo da atividade industrial vão muito além do petróleo e incluem também o crescimento da demanda de consumo doméstico. Para ela, a reação mais forte dos bens de consumo semi e não duráveis (calçados, bebidas, medicamentos, carburantes, alimentos), que dependem diretamente da renda, começou a ocorrer em maio.
A aceleração da produção dessa categoria era esperada desde o início deste ano, mas só agora começa a se efetivar. Os não duráveis cresceram 0,6% ante abril e 7,5% ante igual mês de 2004. Para Isabela, ''este ainda é um sinal, esta é uma pesquisa conjuntural e precisamos de mais informações'' para checar se a tendência dos não duráveis vai prosseguir.
A pesquisa mostrou também que os investimentos se mantêm aquecidos, exceto no setor agrícola. A produção de bens de capital para agricultura caiu 47,3% em maio ante igual mês do ano passado.

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