Produção industrial volta a crescer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de maio de 2005
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio Depois de dois recuos mensais sucessivos, a produção industrial voltou a crescer em março 1,5% em relação a fevereiro. Apesar do avanço, o cenário é de estagnação: o nível da produção nacional voltou ao nível de dezembro do ano passado. Ante março de 2004, o aumento ficou em 1,7%. Esta taxa, o 19º crescimento consecutivo nesta base de comparação, foi a menor desde novembro de 2003 (1,5%).
Para o chefe da área de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, a produção ficou acomodada num nível elevado. Na prática, o ritmo do crescimento desacelerou. ''Mesmo com o bom resultado de março é nítido que a indústria parou de crescer. ''Ainda não podemos falar em recessão. Mas, normalmente, a parada é a ante-sala da recessão, razão pela qual há risco'', diz o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Gomes de Almeida.
Os dados do crescimento industrial por trimestre dão bem a noção da perda de ritmo. De janeiro a março, a atividade da indústria acumula alta de 3,9% sobre o mesmo período em 2004. Os resultados nos quatro trimestres do ano passado, na comparação com igual período do ano anterior, foram bem superiores: 6,5%, 10%, 10,4% e 6,3%. Na média, a indústria avançou 8,3% ano passado ante 2003. No primeiro trimestre de 2005, a produção foi apenas 0,2% superior à do trimestre anterior.
Diferente de 2004, este ano os bens de consumo duráveis e não-duráveis estão compensando a performance mais fraca dos bens de capitais (voltados aos investimentos) e intermediários (matérias-primas). Isoladamente em março, a produção de bens de capital reagiu sobre fevereiro (5,4%), mas variou apenas 2,5% no trimestre, sobre o mesmo período.
No caso dos bens duráveis (eletrodomésticos e automóveis, principalmente) tem havido também o impacto positivo das exportações, caso dos automóveis e celulares. Já para os produtos semi e não duráveis (alimentos, vestuário, medicamentos e bebidas), que têm maior demanda interna, o gerente do IBGE explicou que ''há mais recursos nas mãos da população'', principalmente pelo aumento do crédito.


