Produção industrial teve em 2010 a maior alta em 24 anos
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011
Alessandra Saraiva <br> Agência Estado 
Brasília - A produção industrial brasileira caiu 0,7% em dezembro em relação a novembro do ano passado e subiu 2,7% em relação a dezembro de 2009, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, em 2010 a produção da indústria acumulou alta de 10,5%. Em 2009, afetada pela crise global, a produção industrial caiu 7,4% - a mais intensa baixa em 19 anos. A alta de 10,5% na produção industrial em 2010 foi a maior desde 1986, quando houve crescimento de 10,9%.
Já a queda 0,7% na produção industrial de dezembro ante novembro do ano passado foi o pior resultado para a produção industrial, neste mesmo tipo de comparação, desde junho do ano passado, quando houve queda de 1,2% em relação a maio. O resultado ficou fora do intervalo das expectativas dos analistas, que previam alta entre 0,40% e 1,50%. A mediana das previsões estava em 0,90%.
A produção acumulada da indústria de bens de capital em 2010 foi de 20,8% e representou o ritmo mais intenso desde 1986 (21,9%), segundo o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo. ''Assim como a indústria geral'', acrescentou. Mas caiu 0,5% em dezembro ante novembro do ano passado. Na comparação com dezembro de 2009, a produção de bens de capital subiu 6,2% em dezembro do ano passado. Em todo o ano de 2010 houve alta acumulada de 20,8%.
Macedo comentou que este salto na produção de bens de capital no acumulado do ano foi influenciado por uma melhora nas expectativas dos agentes econômicos ao longo de 2010, que elevaram o ritmo de investimentos no setor. No entanto, fez uma ressalva: ele admitiu que os desempenhos acumulados de dois dígitos na produção industrial brasileira em 2010, apurados em quase todas as categorias de uso pesquisadas pelo IBGE, também foram influenciados por uma base de comparação baixa, relativa a 2009.
Ele lembrou que o ano de 2009 foi o período em que a indústria amargou os efeitos negativos da crise global. ''Podemos dizer que sim, a melhora tem a ver com a questão de investimentos, e de expectativas. Mas não podemos deixar de mencionar o uso de uma base de comparação mais baixa, que influenciou o resultado tanto de bens de capital quanto da indústria geral'', afirmou.


