A produção industrial deve fechar o ano com uma produção industrial 3% menor com relação a 2005. A desaceleração foi causada por fatores macroeconômicos (real valorizado perante o dólar, altas taxas de juros e carga tributária) e nem mesmo a proximidade do Natal, quando tradicionalmente é registrado um aumento do consumo, será suficiente para reverter o quadro. Embora o setor industrial esteja produzindo menos, o Paraná ainda não registrou aumento do desemprego.
''O que está ocorrendo é que os trabalhadores estão migrando de um emprego com salário alto para outro com salário mais baixo e há um aumento da informalidade'', disse o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, que esteve ontem na redação da Folha. Não há estatísticas oficiais que indiquem esse panorama, que foi detectado pela federação a partir de observações e relatos dos sindicatos e das associações comerciais.
Segundo Rocha Loures, o parque industrial paranaense não recebeu investimentos nos últimos 12 meses para justificar um aumento da produção industrial a partir do último trimestre do ano. Os setores mais afetados pela ''recessão industrial'' são os que estão vinculados diretamente ao comércio exterior com exportações ou os que sofrem a concorrência direta dos importados. Os setores que estão com índices positivos são os que têm maior valor agregado, como os eletrônicos e parte da indústria automotiva.
Além disso, o mercado de commodities - como açúcar e álcool, café e laranja - também estão valorizados no mercado externo. ''Para 2007 ainda há muitas incertezas, há indicativos de que a economia americana reduza o seu ritmo de crescimento, o que irá afetar o Brasil'', afirma Rocha Loures. Além disso, conjunturas apontam para o crescimento da inflação de custo, caso se confirme a queda da produção agrícola em função da redução da área plantada. Esse índice deverá subir provocado pelo aumento das importações de commodities.
Estagnação - Caso se confirme um quadro econômico semelhante ao deste ano, como apontam as conjunturas, a economia estadual deverá ficar estagnada. ''Ainda corremos o risco de intensificar o processo de desindustrialização que já está ocorrendo no Estado'', salienta o presidente da Fiep. Nem mesmo os recentes cortes na taxa Selic devem ser suficientes para incentivar investimentos no parque industrial porque a inflação continua baixa, o que contribui para a manutenção dos juros reais altos.
''A taxa de juros é superior à rentabilidade de todos os setores, é um desestímulo aos investimentos. O Brasil tem uma das únicas políticas que desestimula os investimentos, que os mantêm em níveis baixos; nem mesmo as linhas de crédito oferecidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com base na TJLP estão sendo usadas pelos empresários por falta de confiança na política econômica'', comenta Rocha Loures.

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