Produção industrial tem redução de 1,2% em abril
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terça-feira, 02 de junho de 2015
Bruno Villas Bôas<br> Folhapress 
Rio - A produção industrial brasileira caiu 1,2% em abril frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais (como o número de dias úteis), segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ontem. Trata-se da terceira queda consecutiva do indicador. Quando comparado ao mesmo mês do ano passado, o setor apresentou uma baixa de 7,6%. Nessa base de comparação foi a 14ª queda consecutiva, renovando a mais longa sequência de baixa já vista na série histórica do IBGE, de 2002.
Economistas e analistas consultados pela agência internacional Bloomberg projetavam uma queda de 1,4% da produção em abril, na comparação ao mês anterior e de 8,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
O desempenho ruim se arrasta desde setembro, afetado pela menor demanda doméstica, estoques altos, mercado externo fraco, baixa confiança. Nos quatro primeiros meses deste ano, a queda acumulada da indústria foi de 6,3%. E nos últimos 12 meses, a produção apresentou uma baixa de 4,8%. Para enfrentar o ano ruim, uma parte do setor tem colocado trabalhadores em férias coletivas ou mesmo demitido funcionários.
Com estoques elevados, consumo menor das famílias, crédito mais caro e confiança em baixa, a indústria reduziu a produção em sete de cada dez produtos em abril, na comparação ao mesmo mês de 2014. O IBGE acompanha 805 produtos que saem das fábricas brasileiras. Desse total, 70,1% tiveram uma produção menor em abril, informou o instituto ontem. A última vez em que menos da metade dos produtos acompanhados teve queda de produção foi em fevereiro do ano passado (42,4%). A situação é ainda pior em bens de consumo duráveis (como automóveis e eletrodomésticos), com 80% dos produtos pesquisados em queda.
A produção de automóveis recuou 15,5% em comparação ao mesmo período do ano passado, com 90% dos produtos em queda. A de eletrodomésticos caiu 23,9%. Além da piora do crédito e do orçamento mais restrito das famílias, o desempenho do grupo está relacionado à retirada dos incentivos de IPI nos automóveis e da linha branca. Com um desempenho tão ruim, a produção da indústria teve uma queda de 7,6% em abril, na comparação ao mesmo mês do ano passado.
Do resultado chama a atenção a intensificação das perdas de bens de consumo semi e não duráveis - produtos relacionados ao consumo das famílias brasileiras, como alimentos e bebidas. "São segmentos mais sensíveis à deterioração do consumo das famílias. E isso afeta segmentos industriais que vinham tendo comportamento distinto do total da indústria", disse André Macedo, do IBGE. Os bens de consumo semi e não duráveis tiveram em abril a sexta queda consecutiva, com perda de 9,3% frente ao mesmo mês de 2014. Foi uma baixa mais intensa que a de 3% de março.
"O menor acréscimo na renda real e fatores como comprometimento da renda e preços mais altos justificam a perda de ritmo mais intenso (dos bens de consumo semi e não duráveis)", disse Macedo. Na sexta-feira (29), o Produto Interno Bruto (PIB) mostrou uma queda de 1,5% do consumo das famílias no primeiro trimestre deste ano, em comparação aos três últimos meses do ano passado.


