A produção industrial brasileira teve crescimento de 0,7% em março em relação a fevereiro, mas caiu 3,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os números da produção física, na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para uma leve recuperação, depois da expansão de 2,7% em janeiro e da queda de 2,4% em fevereiro sobre os meses imediatamente anteriores.
A boa notícia ficou por conta dos incrementos de 0,7% na fabricação de bens de capital em relação a fevereiro e de 4,3% sobre março de 2012, que indicam maior investimento de empresários com o objetivo de produzir mais. Também no comparativo do acumulado do trimestre com o mesmo período de 2012, a categoria teve alta de 9,8%, enquanto no geral houve queda de 0,5%.
Economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt afirma que o índice mais relevante neste momento é mesmo a produção de bens de capital, por sinalizar um comportamento futuro das empresas. Mesmo porque ele lembra que o PIM é feito sobre a produção física, o que não indica que os produtos já tenham deixado os estoques e chegado ao mercado. "Significa que os empresários estão projetando um crescimento da atividade econômica ou renovando o parque fabril", afirma.
Schmitt conta que, tradicionalmente, a fabricação de bens de capital cresce no início do ano, quando o restante do setor industrial diminui o ritmo e são feitos ajustes no processo produtivo. Ele acredita que o cenário mude a partir de maio, quando seria possível prever com maior certeza se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficará mesmo em 3%, como espera o governo federal.
A opinião é semelhante à do professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para quem a tendência do investimento na modernização de máquinas e equipamentos indica que integrantes de alguns setores acreditam na retomada do crescimento a médio prazo. "O desenvolvimento da indústria está patinando e ainda não é possível apostar em um índice de crescimento para a economia brasileira."

Por setor
A pesquisa do IBGE aponta que 13 dos 27 segmentos puxaram a alta de 0,7% da produção em março sobre fevereiro. As maiores contribuições foram de veículos automotores (5,1%), refino de petróleo e produção de álcool (3,3%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática. Houve recuo mais significativo na produção de alimentos (-2,7%), de equipamentos de transporte (-5%) e de produtos de metal (-4,4%).
Sobre os setores que garantiram o índice, o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, diz que há forte influência do comércio de caminhões. "É uma indústria que tem crescido bastante neste ano e que mostra que alguém acredita que a renovação de frota, que faz parte dos bens de capital, vai ser necessária nos próximos anos", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial tem leve recuperação sobre fevereiro
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