A produção industrial brasileira cresceu 0,7% em agosto sobre julho, a segunda alta mensal positiva seguida depois de quatro quedas consecutivas até junho. O resultado, no entanto, não foi o bastante para reverter o quadro negativo pelo qual passa o setor, com queda de 3,1% no acumulado de janeiro a agosto e redução de 1,8% em 12 meses, segundo a Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para representantes do setor, o crescimento de 0,7% tanto em julho quanto em agosto é um movimento natural, diante do aumento do consumo característico do segundo semestre frente ao primeiro. Porém, não é um indicativo de recuperação.
O desempenho de agosto foi 5,4% menor na comparação com o mesmo mês de 2013. Conforme o IBGE, "os sinais de menor dinamismo da atividade industrial nos últimos meses também ficaram evidenciados na evolução do índice de média móvel trimestral, que embora tenha reduzido o ritmo de queda frente aos meses anteriores, manteve a trajetória descendente iniciada em março último".
De julho para agosto, dez dos 14 ramos pesquisados apresentaram alta. Os principais foram produtos do fumo (15,4%), de borracha e material plástico (4,1%), máquinas e equipamentos (3,9%) e produtos de metal (2,7%). Por outro lado, houve quedas expressivas em segmentos como farmacêuticos e petroquímicos (-7,4%), outros equipamentos de transporte (-6,9%) e bebidas (-6,1%).
Economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher afirma que o avanço mensal da produção nos últimos dois meses é influenciado sazonalmente pelo consumo de fim de ano e deve ir até o fim de novembro. "Mas a economia está parando e, na indústria, isso ocorre de forma mais forte."
Não há previsão de recuperação para o setor, o que deve fazer com que o resultado se mantenha próximo ao atual até o fim do ano, com queda em torno de 3%, na opinião de Zurcher. "As indústrias com os produtos mais caros, que dependem de crédito para serem comercializados, são as que estão em momento mais difícil pelo aumento do custo" diz, sobre os reajustes dos juros neste ano, que encareceram o consumo. Ele cita a indústria automobilística, que produziu 25,6% menos no País em agosto do que no mesmo mês de 2013, e afeta outras como a de metalurgia (-11,2%).
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Ary Sudan, afirma que é preciso entender que o setor não se recupera de muitas paralisações, como as ocorridas durante a Copa do Mundo. "Não dá para aumentar a produção nos outros dias, como ocorre com as vendas no comércio", conta, ao completar que as últimas duas altas no indicador se devem mais à recomposição de estoques do varejo do que à recuperação da indústria.
Sudan vê a indústria da transformação e de bens de capital como as mais prejudicadas, pela retração dos investimentos. Para o fim do ano, ainda que a base de comparação dos últimos meses de 2013 não seja tão alta, ele também não acredita em recuperação. "Vai demorar um tempo, depois do próximo presidente ser eleito, para os empresários entenderem o que será feito e como. O consumo vai melhorar no fim do ano, mas não acredito em melhora na indústria porque os índices de emprego não estão mais como antes", afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial tem alta de 0,7% em agosto
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