Curitiba - Após uma expansão de 0,7% em março, a indústria nacional surpreendeu ao crescer mais 1,8% em abril. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado que projetava aumento entre 0,5% e 1,7%. Na comparação com abril de 2012, a produção industrial avançou 8,4%, melhor desempenho desde abril de 2010, quando a expansão havia sido de 8,6% diante do mesmo mês de 2009.
Com esse resultado, o setor acumula uma alta de 1,6% de janeiro a abril deste ano. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, a indústria registrou queda de 1,1%, ainda sob efeito do fraco desempenho do ano passado. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em abril, os destaques positivos ficaram com os setores de veículos automotores (8,2%), máquinas e equipamentos (7,9%) e alimentos (4,8%). Já as quedas mais significativas foram as dos ramos de bebidas (-5,9%) e material eletrônico e equipamentos de comunicação (-6,5%).
Os bens de capital (máquinas e equipamentos) contribuíram com o maior impulso à produção com alta de 3,2%, seguidos de bens de consumo duráveis, com expansão de 1,1%, puxados pela produção de veículos, que teve a maior alta desde março de 2012. Dos 27 ramos pesquisados pelo IBGE, 17 registraram crescimento. Outras altas de destaque ficaram com edição e impressão (4,6%), perfumaria e produtos de limpeza (0,9%) e papel e celulose (1,8%).
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que o resultado de abril é um sinal de recuperação do setor, mas só os próximos dois meses é que vão confirmar se este desempenho representa mesmo um início de elevação na produção industrial. Ele explicou que o desempenho positivo de automóveis, especialmente caminhões, e de alimentos está diretamente ligado à safra agrícola que movimenta a indústria. No entanto, Zurcher alertou que este crescimento em abril ainda não atingiu todos os setores industriais.
Para ele, o resultado de abril reflete já o desempenho da boa safra e das medidas que o governo federal adotou de estímulo à economia em 2012 como a redução do IPI, a desoneração da folha de pagamento e a diminuição de juros para a compra de máquinas e equipamentos. ''Estas medidas demoram cerca de seis a nove meses para surtir efeito'', explicou.
Segundo Zurcher, o bom desempenho do setor de máquinas e equipamentos mostra que as empresas estão realizando investimentos. Ele acredita ainda que o bom resultado da indústria em abril pode trazer impacto no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2013, ele prevê que o setor industrial tenha crescimento de 1% no cenário nacional e de 3% no Paraná impulsionado pelo agronegócio. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Produção industrial surpreende e cresce 1,8% em abril



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