Produção industrial recua 7,5% em 12 meses, diz IBGE
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de janeiro de 2017
Daniela Amorim<br>Agência Estado 

A produção industrial subiu 0,2% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quinta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a novembro de 2015, a produção caiu 1,1%. No ano, a produção da indústria acumula queda de 7,1%. Em 12 meses, o recuo é de 7,5%.
Segundo o IBGE, a produção da indústria de bens de capital subiu 2,5% em novembro ante outubro. Na comparação com novembro de 2015, o indicador mostra alta de 1,1%. No acumulado de 2016, houve redução de 13,2% na produção de bens de capital. Em 12 meses, o resultado é de retração de 14,7%.
Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou ligeira alta de 0,1% na passagem de outubro para novembro. Na comparação com novembro de 2015, houve recuo de 2,4%. No acumulado do ano, a queda é de 6,1%, enquanto a taxa em 12 meses é de recuo de 6,4%.
Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de novembro foi de elevação de 4,0% ante outubro. A produção aumentou 9,0% em relação a novembro de 2015. Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve diminuição na produção de 0,5% em novembro ante outubro, e recuo de 4,8% na comparação com novembro do ano passado.
Para os bens intermediários, o IBGE informou que o indicador teve alta de 0,5% em novembro ante outubro. Em relação a novembro do ano passado, houve redução de 0,6%. No acumulado do ano, houve queda de 6,8%, enquanto a taxa em 12 meses ficou negativa em 7,1%. O índice de Média Móvel Trimestral da indústria apontou leve retração de 0,1% em novembro.
ACUMULADO
O recuo da indústria no acumulado do ano tem influência da retração na demanda doméstica, do aumento no número de desempregados e da renda menor dos trabalhadores ocupados, enumera André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. De janeiro a novembro de 2016, 23 dos 26 ramos industriais investigados tiveram retração na produção. Entre os 805 produtos investigados, 73,5% registraram queda na produção no período.
Mesmo o setor de veículos, que teve avanço em novembro (6,1%), amargou uma perda de 13,2% no acumulado do ano. "Veículos já vêm com comportamento negativo há três anos. O avanço (de novembro) tem característica pontual, a retomada da produção que vinha de uma paralisação e o aumento de forma geral para algumas plantas industriais que vinham com produção mais moderada", acrescentou. "Os níveis de estoques, embora tenham sido reduzidos nos últimos meses, permanecem acima do patamar habitual", disse.
Para o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o aumento da produção em novembro está relacionada às demandas do comércio de final de ano. "Foi um pequeno aumento, mas a indústria ainda está muito em baixa. O que a gente pode tomar de positivo é que o setor vem caindo numa velocidade menor que antes", declarou.
Zurcher acredita numa retomada da indústria no segundo semestre deste ano. "Há sinais de que teremos uma recuperação. Mas, até março, como é de costume, o setor vai ficar meio parado. As famílias já fizeram suas compras de fim de ano e agora estão preocupadas em pagar impostos", avaliou. (Colaborou Nelson Bortolin/Reportagem Local)


