Produção industrial perde ritmo no segundo trimestre
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Eduardo Rodrigues e Francisco Carlos de Assis<BR> Agência Estado 
Brasília e São Paulo - A produção industrial brasileira perdeu ritmo no segundo trimestre do ano, de acordo com a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em uma escala onde valores acima de 50 pontos indicam crescimento, o indicador de evolução da produção em junho ficou em 51,8 pontos, revelando que atividade manteve-se praticamente estável em relação ao mês anterior. Em maio, o índice havia ficado em 54,9 pontos.
O uso da capacidade instalada (UCI) ficou abaixo do usual para o mês de junho. Pela mesma metodologia, o indicador ficou em 48,4 pontos no mês, enquanto em maio havia registrado 50,3 pontos. ''O indicador mostra que a atividade industrial não está super aquecida'', afirmam os responsáveis pela pesquisa. Ainda assim, de acordo com a CNI, a indústria operou com 75% da capacidade instalada no segundo trimestre, um ponto porcentual acima do desempenho obtido nos três primeiros meses do ano. Os estoques também continuaram pouco abaixo do planejado pelos empresários em junho, com indicador em 49,2 pontos, considerando o patamar de 50 pontos como o marco de referência. A sondagem industrial foi feita entre os dias 30 de junho e 20 de julho, ouvindo 1.353 empresas.
Emprego
A sondagem mostrou também que o ritmo de expansão nas contratações do setor continuou no segundo trimestre deste ano, mesmo que de forma moderada. Em uma escala onde valores acima de 50 pontos representam crescimento, o indicador do número de empregados na indústria registrou 54,6 pontos entre abril e junho. Nos três primeiros meses do ano, o indicador havia ficado em 55,5 pontos. Pequenas, médias e grandes empresas aumentaram o número de funcionários no trimestre. Pela análise setorial, apenas as indústria de couro, móveis e madeira reduziram a mão de obra empregada no período. ''Os empresários continuam apostando em aumento da demanda, com expectativas altas, à exceção das exportações. Por isso, as companhias devem continuar os investimentos e contratação de trabalhadores, com ritmo menor, mas com crescimento'', avaliou o gerente-executivo de Análise da CNI, Renato da Fonseca.
Pressões
A estagnação no ritmo de crescimento da produção industrial e a queda na utilização da capacidade instalada (UCI) nas fábricas nos últimos meses, conforme Sondagem Industrial divulgada ontem pela CNI, demonstram que não existem pressões no setor que poderiam levar a um aumento da inflação, avaliou Marcelo Azevedo, analista da entidade. ''Os dados mostram que não há descompasso entre oferta e demanda. A indústria está operando sem pressão na utilização da capacidade instalada e os estoques estão próximos do planejado'', afirmou Azevedo.
Para o gerente-executivo de Análise da CNI, Renato da Fonseca, como a produção industrial, apesar de estável, tem conseguido acompanhar o ritmo da demanda, não haveria motivos para um novo aumento na taxa básica de juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,5 ponto porcentual a Selic, para 10,75% ao ano. ''O mecanismo de aumento dos juros é voltado para conter a demanda. Mas o problema é que você acaba afetando muito mais investimento do que consumo, principalmente no que diz respeito às expectativas dos empresários para investimentos futuros'', disse Fonseca. ''Sem investimentos você fica preso nessa situação e, quando a economia cresce, precisa aumentar novamente os juros pra conter a demanda'', completou.


