Produção industrial no vermelho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de agosto de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de a indústria do Paraná começar a apresentar sinais de recuperação, o setor deve fechar o ano com queda na produção e na geração de empregos. A previsão da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que a produção encerre 2009 com uma queda de 5% a 6%. Para o índice de emprego as duas entidades acreditam em redução, mas não arriscam estimativas porque o comportamento do setor neste ano está muito atípico. As contratações para a produção de final de ano que deveriam começar em julho estão sendo postergadas.
O economista da Fiep, Roberto Zurcher, disse que o índice de confiança do empresário industrial apontou para 60,4% em julho. Segundo ele, quando o percentual fica entre 50% e 100%, aponta otimismo. Em abril, o índice registrado foi de 54,6%.
Ele lembrou que a indústria passou por vários problemas no Estado nos seis primeiros meses do ano, como a crise financeira e a estiagem no primeiro trimestre. No entanto, como o setor é voltado para o agronegócio no Paraná, o impacto da crise internacional foi reduzido. ''O segundo semestre sempre é melhor com a entrada do 13º salário e a produção de fim de ano'', destacou.
No primeiro semestre, as vendas industriais apuradas pela Fiep tiveram queda de -6,69% e as compras de insumos de -19,96%. Pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção física caiu 5,9% de janeiro a junho. A mesma pesquisa mostra que o pessoal ocupado total na indústria do Paraná teve uma redução de -4,06% e os empregados na produção de -8,05%.
''A indústria foi o segmento que mais sofreu com a crise. O primeiro semestre marcou o 'fundo do poço' para o setor'', disse o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Segundo ele, o pior momento foi em abril, mas agora começa a apresentar reações. Cordeiro acredita que até o primeiro semestre de 2010 devem ser recuperados todos os empregos perdidos com a crise. ''A expectativa é que os estoques de produção já estejam ajustados'', afirmou.


