A produção industrial do País registrou uma ligeira melhora em março, com crescimento de 1,6% em relação a fevereiro, apesar do desaquecimento da economia. Mas, segundo Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em todas as outras comparações continuam prevalecendo os resultados negativos.
Em relação a março do ano passado, a queda foi de 3%, mesmo índice negativo registrado nos últimos 12 meses. A retração é ainda maior no confronto do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado: 3,8%.
De qualquer forma, o crescimento da produção na chamada ‘‘ponta da série’’, ou seja, na passagem de um mês para o outro, foi um resultado alentador, na opinião dos técnicos do IBGE, que já esperam a repetição de um índice positivo na comparação de abril com março.
O único item que pode pôr em risco as estimativas é um possível resultado insatisfatório no acordo automotivo, que está sendo negociado com o governo. ‘‘O resultado do primeiro trimestre do ano mostra que a indústria está ensaiando uma trajetória de reação’’, diz o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Sales. ‘‘Provavelmente, isto não significará uma taxa anual positiva, mas será suficiente para amortecer o nível da queda.’’
Ele lembra que, desde junho do ano passado, vêm sendo registrados sucessivos índices negativos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A expectativa é de que essas quedas continuem a se repetir até meados do segundo semestre. Para Sales, o resultado do primeiro trimestre deste ano foi surpreendente, mesmo tendo representado uma redução de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. ‘‘Tudo o que se esperava no fim do ano passado é de que o movimento de depressão se acentuasse no início de 99, o que não está ocorrendo’’, diz o analista. ‘‘Está certo que a tendência ainda é negativa, mas o movimento de queda está muito mais suave, o que demonstra que o entrave na economia não foi tão fundo quanto se esperava.’’

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