Brasília - O terceiro trimestre deve ser marcado pelo esfriamento da atividade industrial, conforme dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pelo segundo mês consecutivo, as vendas reais apresentaram, em agosto, queda de 1,08% em relação ao mês anterior. Com exceção da massa salarial, que vem crescendo há seis meses, todos os demais indicadores mostraram-se praticamente estáveis. ''Os dados de agosto confirmam o que era apenas uma sinalização em julho.
A atividade econômica no terceiro trimestre deve mostrar uma acomodação'', afirmou o economista da CNI, Paulo Mol. No entanto, a CNI espera a retomada da atividade industrial no quarto trimestre, com picos de produção em outubro e novembro, por conta das vendas de Natal.
Na comparação com agosto do ano passado, as vendas reais na indústria caíram 0,67%. Mol atribuiu o recuo no faturamento das empresas à forte valorização do real, de 21,4% no período, que afetou a receita das companhias exportadoras. No ano, as vendas registram um crescimento de 1,84%.
O número de horas trabalhadas na indústria, que é o indicador mais diretamente ligado à produção, oscila entre estável e levemente negativo, desde junho. O mercado de trabalho também é marcado pela acomodação, com manutenção há quatro meses do emprego industrial. Mesmo assim, afirmou Mol, a expansão dos postos de trabalho no setor deve atingir 4,3% este ano, número recorde e bem acima dos 3,5% registrados no ano passado.
O único indicador, na avaliação da CNI, que ''destoa'' do cenário de arrefecimento da atividade industrial é o de massa real de salários, que continua crescendo. No entanto, a CNI destaca que o aumento dos salários na indústria por seis meses consecutivos não é reflexo de dinamismo na produção, como aconteceu em 2003 e 2004, mas resultado do aumento do poder de compra dos salários, com a queda da inflação. ''Havendo expansão da renda, a gente fica mais otimista em relação às compras de final de ano'', disse Mol.
A CNI apontou três fatores de restrição à expansão da indústria no terceiro trimestre: juros altos, que freiam a demanda interna e desestimulam o investimento; a valorização do real frente ao dólar; e o ritmo menor da expansão do crédito consignado. Segundo Mol, de setembro de 2004 a abril deste ano, os novos créditos concedidos dobraram, atingindo R$ 2 bilhões por mês. No entanto, a partir de maio, houve uma estabilidade no volume de créditos.
Para o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, apesar de haver um aumento da massa salarial no período, as sondagens feitas com o consumidor mostram um certo receio da população em consumir. Ele acredita que o ''desanuviamento'' da crise e o início da trajetória de queda da taxa Selic, que sinaliza que as condições de financiamento para as compras de Natal devem ser melhores, devem levar a um quadro mais favorável à atividade industrial no último trimestre do ano.

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