São Paulo - A produção industrial brasileira ficou estável em abril, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março, a pesquisa havia registrado alta de 1,5% na comparação com fevereiro. Na análise de longo prazo, no entanto, a indústria ainda registra expansão. Em relação a abril de 2004, houve crescimento de 6,3%. Apesar da taxa positiva, desde fevereiro o IBGE alerta para o menor fôlego da produção industrial no longo prazo.
No primeiro trimestre, os bens de consumo duráveis (como veículos e eletrodomésticos) foram os principais responsáveis pela expansão da indústria, com destaque para a produção de TVs, celulares e automóveis, produtos voltados em grande parte para as exportações. Em abril, das quatro categorias de uso, apenas uma apresentou taxa positiva: bens intermediários (1,3%).
Segundo o IBGE, apesar do segundo desempenho positivo consecutivo, o resultado não neutraliza a desaceleração observada nos dois primeiros meses do ano - período em que esse segmento acumulou queda de 3%.
O segmento de bens de capital (máquinas e equipamentos) registrou queda de 2,9%, após crescimento de 3,9% em março. Os bens duráveis registraram queda de 0,3% e os bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (alimentos e roupas) tiveram o terceiro resultado negativo consecutivo com queda de 0,3%.
Dos 23 ramos que têm série ajustada sazonalmente, 12 apresentaram queda entre março e abril. Entre os setores de desempenho favorável, destacam-se indústrias extrativas (7,4%), veículos automotores (3,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (4,9%). Os principais impactos negativos vieram de máquinas e equipamentos (-4%), farmacêutica (-6,2%), produtos de metal (-4,7%) e bebidas (-5,1%).
Quadrimestre - No acumulado do ano, a indústria registra crescimento de 4,5% em relação a igual período do ano passado. A produção de veículos automotores cresceu 12,4% nos primeiros quatro meses do ano e lidera a expansão da indústria neste ano. Material eletrônico e de comunicações (14,0%) e farmacêutica (13,7%) também tiveram impacto positivo sobre o crescimento da indústria. A atividade de refino de petróleo e produção de álcool representou o principal impacto negativo, com queda de 4% no acumulado do ano.
A desaceleração no crescimento da indústria coincide com o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central desde setembro do ano passado. Em nove meses, a taxa básica de juros passou de 16% ao ano para 19,75% ao ano. Entre analistas, há quase unanimidade na expectativa por um crescimento menor da indústria este ano. Em 2004, a produção industrial registrou a maior taxa de expansão em 18 anos, com crescimento de 8,3%. Os sinais de menor fôlego na indústria foram destaque também nos resultados do crescimento da economia no primeiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou expansão de 0,3% no período.

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