Produção industrial fica ameaçada
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
Apesar da região Sul do País ter ficado de fora do racionamento de energia anunciado ontem pelo governo federal, os empresários paranaenses estão apreensivos e começam a se mobilizar para um provável ingresso no programa a partir de agosto. O clima é de aprensão e até de revolta. A reclamação dos empresários é ter de economizar energia justamente num momento em que estão aquecidas as vendas, o que exige mais produção e, como consequência direta, mais gasto energético.
Os empresários fazem cálculos e não conseguem descobrir como vão economizar quase 20% do que consomem hoje, caso sejam enquadrados no racionamento. Estou fazendo uma equação do segundo grau e não acho o resultado, diz o diretor-presidente do Grupo Pólo Shop, Ivo Petris. Sócio em três centros comerciais de Curitiba, entre eles o Polo Shop Estação, ele diz que, nos últimos meses, teve de equipar as lojas com novo sistema de ar-condicionado e iluminação. Na shopping localizado no Alto da XV, o aumento de energia foi de 50%.
O receio de Petris é ter de economizar sobre o que consumia no ano passado. Ele diz que cortes só poderão ser feitos se houver um entendimento de toda a população de que é necessário contribuir. Caso contrário ninguém entenderá ter de circular por um shopping com elevadores e escadas rolantes paradas ou com luzes apagadas.
O grupo Pão de Açúcar adotou um programa piloto em dois supermercados e conseguiu economizar 15% de energia, em 1998. O projeto se estendeu para as demais unidades em todo o País. A determinação da empresa, agora, é construir lojas com pé-direito mais baixo para economizar com o ar-condicionado. Os tetos passaram a ser translúcidos e as câmaras frias têm horário pré-determinado para serem abertas. Todas as lojas estão equipadas com geradores, em caso de blecaute.
As indústrias também estão preocupadas com gasto excessivo. A fábrica de massas Todeschini formou uma comissão interna para estudar formas de economia. Até então, a empresa não tinha adotado programa de redução nas despesas com luz. A Todeschini deve começar o trabalho fazendo uma campanha educativa entre os funcionários para que apaguem lâmpadas em ambientes vazios.
O que não se aceita é ter de cortar produção. Num momento de aquecimento da economia, nem pensar em reduzir gasto de energia, protesta o presidente do Sindicato da Indústria de Peças Automotivas (Sindipeças), Benedicto Kubrusly. Ao criticar o governo federal por não ter investido em geração energética nos últimos anos, Kubrusly lembrou que o governo tem obrigação moral de oferecer infra-estrutura para o setor produtivo.


