Rio de Janeiro - A produção industrial brasileira recuou 7,4% em 2009, afetada pela crise, que fechou as portas para as exportações, secou as fontes de crédito e deteriorou a confiança dos empresários. Foi a maior queda desde 1990, ano do confisco promovido pelo governo Collor. Se o resultado daquele ano, porém, foi seguido por mais dois de encolhimento da indústria, 2009 terminou com sinais de recuperação.
A gerente de análise e estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes, destaca que o setor de bens de capital apresentou em dezembro o nono crescimento consecutivo sobre o mês anterior, de 0,3%. Na comparação entre o quarto e o terceiro trimestres do ano, a expansão foi ainda maior, de 13,3%, contra uma média de 3,6% da indústria como um todo. ''Isso aponta para a retomada dos investimentos'', diz.
A recuperação desse segmento a partir de abril, porém, foi insuficiente para neutralizar as perdas registradas nos meses anteriores - no fechamento do ano, a produção de máquinas e equipamentos ainda estava 17,4% abaixo da acumulada em 2008. ''A recuperação está ocorrendo de forma gradual e poderia ser mais intensa se 2010 não fosse ano eleitoral. Mas, com as incertezas políticas, pode ser que o investidor aguarde um pouco mais para investir'', avalia o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
O segundo maior recuo, de 8,8%, foi verificado na produção dos bens intermediários, usados na fabricação de outros produtos. A produção de bens duráveis teve uma recuperação mais forte e encerrou 2009 apenas 6,4% abaixo da acumulada em 2008, ano bastante positivo para o setor até o agravamento da crise, em setembro.

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